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5 de Maio de 2008 - 06h02 - Última modificação em 5 de Maio de 2008 - 07h51


Morales convida prefeitos a negociar "autonomia real" e nova Constituição

Alex Rodrigues
Enviado especial

 
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Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, convidou todos os prefeitos (o equivalente aos governadores brasileiros) do país a trabalharem por uma “real autonomia”, auxiliando-o na aprovação da nova Constituição. Ele fez um pronunciamento ontem (4) em rede nacional, logo após a conclusão da consulta popular sobre a autonomia do estado mais rico da Bolívia, Santa Cruz.

“Que meu chamado seja ouvido a fim de garantirmos a verdadeira autonomia para todo o povo, não apenas para alguns grupos”, disse Morales. 

O presidente criticou a realização da consulta convocada pelo prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e organizada - sem o aval da Corte Nacional Eleitoral - pela Corte Departamental Eleitoral de Santa Cruz. Para ele, a iniciativa de aprovar o estatuto de 168 artigos havia fracassado “rotundamente”. “Esta consulta, inconstitucional, fracassou porque hoje só houve violência e enfrentamento”, disse ele, referindo-se aos confrontos entre grupos favoráveis e contrários à consulta, que deixaram dezenas de feridos.

Destacando o índice de abstenção divulgado por alguns veículos de comunicação que, com base em pesquisas de boca-de-urna, informavam que cerca de 25% dos eleitores habilitados não compareceram para votar, Morales afirmou que, se a esses fossem somados os votos nulos e no não, quase metade da população havia rechaçado o estatuto. “Lamentavelmente, a consulta dividiu o estado”.

As mesmas pesquisas, no entanto, indicavam que pelo menos 85,4% dos votos válidos aprovavam o estatuto, o que não chegou a surpreender, uma vez que o governo federal e as lideranças de movimentos contrários à consulta incentivaram seus simpatizantes e membros a não participar do pleito, considerado inconstitucional. Se aplicado, o estatuto de autonomia concederá ao prefeito de Santa Cruz, estado próspero em petróleo e gás natural, a competência para legislar sobre temas fiscais e fundiários, além de decidir como serão gastos os recursos que o estado, por direito, recebe do governo federal.




 


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