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Brasília - É improvável que o movimento pela autonomia do departamento (estado) boliviano de
Santa Cruz caminhe para uma independência a curto prazo, depois do
referendo realizado no último domingo (4), na opinião do professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Pio.
“Só vamos chegar a uma separação, quer seja politicamente negociada, quer seja, o que é mais provável, violenta, se a reação do governo Morales for no sentido de iniciar uma intervenção mais violenta naquela região do país. Se isso não acontecer, acho muito pouco provável que a oposição tenha força e disposição de pegar em armas e iniciar um processo de guerra civil”, afirmou Pio, em entrevista à Agência Brasil.
Para o especialista, apesar de não ter validade legal, a realização do referendo autonomista significa “que houve uma capacidade de mobilização da população, por parte de lideranças políticas e econômicas das províncias mais ricas, que contestam a opção estratégica do governo Morales, de seguir um caminho a la Venezuela de nacionalização e aumento da intervenção do Estado na economia privada do país”.
Na opinião do professor, há dois cenários possíveis depois do pleito. Um é o acirramento dos conflitos, “se o governo nacional descartasse qualquer tipo de mudança na forma como vem tratando as províncias mais desenvolvidas”.
A segunda possibilidade é o caminho de negociações, uma vez que o governo central, comandado por Evo Morales, perceba o resultado obtido no departamento como mostra do descontentamento e como uma ameaça por parte dos oposicionistas.
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