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Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou hoje (5) que o Brasil tem
servido de exemplo para outros países no combate à desertificação, mas ressaltou que ainda há muito a ser feito para acabar com o problema.
“O Brasil é considerado um dos
países que têm conseguido maiores avanços na agenda do combate à
desertificação. Tanto é que tem sido utilizado como exemplo para países
da África, América Latina e Caribe", disse a ministra, ao participar da abertura do 1º Seminário Nacional de Combate à Desertificação.
Marina Silva destacou, entretanto, que ainda há um desafio muito grande: "Mais
de dois bilhões de pessoas no mundo estão sob os efeitos da
desertificação. É um processo que avança muito mais rápido do que a
capacidade de reverter.”
A ministra disse que algumas medidas
adotadas no país já surtem efeito e deu como exemplo o Plano de
Combate à Desertificação. “É um processo em curso. Se formos fazer um
balanço, tanto o governo federal, como os governos estaduais precisam
ampliar suas ações. É preciso que tenha uma parcela do governo federal,
mas também deve ser traduzido com os governos estaduais e os municipais
e a sociedade de modo geral. Um problema dessa magnitude [não se resolve apenas] com políticas para as pessoas.”
A desertificação é um processo de degradação das terras nas zonas áridas, semi-áridas e subúmidas secas, resultante da ação de diversos fatores, principalmente atividades humanas. As Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) no Brasil estão principalmente no Nordeste, nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Algumas regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo também são afetadas. Estima-se que a desertificação atinja15,72% do território brasileiro e que uma população aproximada de 31,6 milhões de habitantes sofra com o problema.
Para o coordenador da Articulação do Semi-árido, João Evangelista, que também participou da abertura do seminário, falta vontade política para solução do problema. Segundo ele, o Plano de Combate à Desertificação, lançado há mais de um ano, ainda não saiu do papel. “Não sei se [foi] por omissão. Acho que não há uma decisão do governo de fazer o combate”, afirmou Evangelista.
Ele disse que tem acompanhado as discussões sobre o problema nos último dois anos e que tem observado um certo avanço. "Antes a discussão nem era possível com os estados", ressaltou Evangelista, que ainda considera muito tímidas as ações. "O plano nacional foi lançado em 2005 e, de lá para cá, muito pouco foi feito. Quase nada foi efetivado. Então, construir um plano e não ser efetivado é jogar recurso público no lixo”, criticou.
O seminário reúne até amanhã (6), em Brasília, cerca de 250 pessoas,
entre pesquisadores, moradores de municípios afetados pela
desertificação e representantes da sociedade civil, de governos e do
setor empresarial. As propostas aprovadas serão levadas à 3ª
Conferência Nacional do Meio Ambiente, cujo tema central este ano são
as mudanças climáticas.
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