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Rio de Janeiro - O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, defendeu a criação de um grupo
permanente para investigar e periciar assassinatos de pessoas pela polícia e
denúncias de tortura em estabelecimentos prisionais em todo o país. Ele
participou ontem (5) do seminário Mídia, Segurança e Direitos Humanos, na Associação
Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.
Vanucchi disse que as perícias paralelas fazem parte do
mecanismo nacional preventivo que está sendo construído este ano e que responde
ao protocolo facultativo da Organização das Nações Unidas (ONU), da Convenção
contra a Tortura, que o Brasil ratificou em dezembro de 2006.
“Esse mecanismo vai trabalhar sempre nessa linha, com a
criação de perícias e IMLs [Instituto Médico Legal], com a presença de
representantes da sociedade civil, a partir de experiências que a União
Européia tem, por exemplo, na Irlanda. Quando há qualquer cena de crime com
policial envolvido, ela é isolada e quem vem fazer a perícia é uma ONG
[organização não-governamental] credenciada pelos poderes públicos. Não é a
própria polícia que vai investigar os delitos envolvendo a polícia”, explicou.
Segundo Vanucchi, o mecanismo deverá estar funcionando até o
final deste ano. Serão feitas visitas não anunciadas em possíveis locais de
prática de tortura, como presídios, unidades socioeducativas, distritos
policiais, centros de concentração de imigrantes e salas especiais de
aeroportos.
“Nós vamos interligar o Conselho Nacional do Ministério
Público, o Conselho Nacional de Justiça e a Secretaria dos Direitos Humanos,
com a presença também do Ministério da Justiça.” O secretário disse que ainda é
necessário estabelecer um marco legal para evitar conflitos de competência
entre órgãos estaduais e federais, garantindo acesso do grupo a qualquer tipo
de órgão ou estabelecimento prisional.
A medida foi elogiada pelo diretor do Centro de Informações
das Nações Unidas, Giancarlo Summa, que também participou do seminário. “Tudo o
que pode ajudar na defesa dos direitos humanos, como coibir execuções
extrajudiciais, satisfaz a ONU. É mais uma prova de que o governo brasileiro
está empenhado na defesa dos direitos humanos.”
Summa disse que a ONU detém técnica e conhecimento de
investigação forense, já aplicados em situações de guerra, como nas províncias
da antiga Iugoslávia e também na América Central, e pode oferecer ajuda ao
Brasil, se for requisitada. Ele lembrou o caso dos 19 mortos no Complexo do
Alemão, em julho do ano passado, quando houve necessidade de uma
perícia paralela para apurar denúncias de execução por parte da polícia.
A ONU deve divulgar, em julho, um relatório sobre execuções
extrajudiciais, com dados levantados em diversos países do mundo, inclusive o
Brasil, que foi visitado em novembro do ano passado pelo pesquisador Philip
Alston. Segundo Summa, o relatório foi atualizado recentemente com notícias
das últimas grandes operações da polícia carioca, incluindo a morte de 11
pessoas, no início de abril, nas favelas da Coréia e Vila Aliança, na zona
oeste da cidade.
Para a pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança
e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (Cesec/Ucam), Silvia Ramos, a
iniciativa do governo é necessária e urgente. “As corregedorias e ouvidorias de
polícia não dão conta de conter os seus policiais. Só a polícia do Rio matou,
no ano passado, 1.330 pessoas. Na medida em que passar a ser um procedimento, o
governo federal sinaliza para as polícias estaduais que se importa com isso e
que essas mortes não podem continuar impunes, como têm sido. Não é um
procedimento contra um governo estadual, é para todos.”
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