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5 de Maio de 2008 - 20h20 - Última modificação em 5 de Maio de 2008 - 20h20


Para MPF, parlamentares e funcionários do BNDES podem estar envolvidos em esquema de fraudes

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - Parlamentares, funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) e pelo menos onze prefeituras paulistas podem estar envolvidos com o esquema de fraudes em financiamentos do banco, prostituição e tráfico de pessoas, investigadas na operação de Santa Tereza, da Polícia Federal. A afirmação foi dada, na tarde de hoje (05), pela procuradora da República Adriana Scordamaglia, na sede do Ministério Público Federal em São Paulo.

A procuradora afirmou que os funcionários do BNDES, ainda não identificados, foram citados nas interceptações telefônicas e também existem pessoas, igualmente ainda não identificadas pela polícia, que trocaram e-mails com os envolvidos e que serão investigadas.

A operação da Polícia Federal investigou uma organização crimininosa, que fazia uso de pessoas com influência política no BNDES, para conseguir a liberação de empréstimos para prefeituras e empresas, e que se aproveitavam de projetos falsos elaborados por uma empresa de consultoria. O dinheiro recebido do BNDES era usado em uma casa de prostituição e de tráfico de mulheres, em São Paulo, e então era legalizado (ou "lavado").

Nessas investigações, foram comprovadas fraudes em pelo menos três financiamentos solicitados junto ao BNDES: dois para melhorias na rede varejista Marisa e outro para obras da prefeitura de Praia Grande, na Baixada Santista. “Apenas nesses três empréstimos, os envolvidos receberam R$ 2 milhões de propinas”, disse Adriana Scordamaglia.

De acordo com a procuradora, as investigações da Polícia Federal também apontam para a participação no esquema do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. “A suspeita é que ele faz parte também do desvio de verbas do BNDES”, disse. Segundo ela, a suspeita de participação do deputado surgiu quando o nome Paulinho foi citado mais de uma vez durante o monitoramento telefônico.

“Há indícios de que seja ele pelas ramificações das investigações. Na verdade, em algumas vezes não foi só citado o nome Paulinho. O nome foi citado em um contexto em que se faz supor que seja ele”, afirmou a procuradora.

O BNDES informou hoje que ainda não foi notificado pelo MPF a respeito “de qualquer suposto envolvimento de funcionários do banco nesse caso” e disse que só se pronunciará depois da notificação.

Já a Força Sindical, em nota, afirmou que o deputado Paulo Pereira da Silva está “sendo vítima, mais uma vez, de implacável perseguição política, cujo único objetivo é impedir que mantenha, como sempre, sua independência política e sua luta incansável na defesa dos direitos dos trabalhadores brasileiros” e que as denúncias “são descabidas”. Por ter foro privilegiado, o deputado só poderá ser investigado caso haja autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na tarde de hoje, a Agência Brasil e a TV Brasil estiveram na sede da Força Sindical, em São Paulo, para tentar entrevistar o deputado Paulo Pereira da Silva, que esteve em reunião durante todo o dia de hoje no local. O deputado se recusou a falar com a imprensa e um assessor informou que Paulinho deve se pronunciar somente amanhã (06), depois da reunião com o seu partido (PDT), em Brasília.



 


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