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Brasília - O secretário
de Política Econômica, Bernard Appy, defendeu mudanças
na tributação sobre o lucro presumido. Segundo ele,
seria uma maneira de acabar com uma forma de iniqüidade do ponto
de vista social.
"Pessoas que têm renda muito elevada
hoje, em função desse sistema, acabam tendo uma
tributação bastante reduzida", disse.
Para Appy, quando foi adotada as medida ajudou a
reduzir a informalidade na economia brasileira, mas trouxe uma
conseqüência negativa do ponto de vista da injustiça
social e da distribuição de renda.
O lucro presumido é
uma tributação simplificada onde a Receita Federal
atribuiu um percentual para o cálculo do imposto independente
da apuração do lucro da empresa. Podem optar pelo lucro
presumido a empresa que teve receita bruta no exercício
anterior igual ou inferior a R$ 48 milhões ou R$ 4
milhões vezes o número de meses de atividade da empresa
no calendário anterior.
O próprio secretário citou a
consultoria em que trabalhava antes de entrar para o governo, que
arrecadava pelo lucro presumido e não pelo lucro real. Para
ele, a discussão deve ser encarada pelo governo e pela
sociedade, embora lembre que a posição é pessoal
e não exista uma posição fechada dentro da
equipe econômica.
"Isso não passa pela questão do
imposto sobre grandes fortunas, mas em rever o modelo de tributação
sobre o lucro presumido. Não para reduzir a simplificação
dele, mas para torná-lo mais progressivo", afirmou.
Appy defende que as discussões sobre as
alterações na progressividade do imposto sobre o lucro
presumido sejam incluídas em um debate mais amplo de
progressividade da política fiscal. Ele lembrou que quando da
adoção da Medida Provisória 232, criada para
aumentar a tributação do lucro presumido, parlamentares
no Congresso Nacional reagiram de forma negativa.
"Colocar esse tema sem prepará-lo
adequadamente é um erro do ponto de vista político,
como já foi demonstrado. Não é um tema que possa
ser tratado de forma ingênua. Tem que ser discutido com clareza
com a sociedade, em que pessoas de maior renda paguem mais impostos",
defendeu.
O secretário
disse ainda que existe sim preocupação com um novo
desenho de reforma de sistema tributário nas discussões
da Emenda 3, embora eu não esteja participando das discussões.
"Eu
não estou participando das discussões da Emenda 3. Mas
pelo que eu saiba existe um preocupação em ter um
desenho mais justo do que o que nós temos hoje. Talvez não
seja o ideal do ponto de vista técnico, mas seja o ideal do
ponto de vista político".
A emenda
3, vetada pelo presidente, proibia os auditores fiscais da Receita
Federal de autuar ou fechar as empresas prestadoras de serviço
constituídas por uma única pessoa, quando entendessem
que a relação de prestação de serviços
com uma outra empresa era, na verdade, uma relação
trabalhista.
A emenda transferia para o Poder Judiciário a
definição de vínculo empregatício,
beneficiando profissionais liberais que atuam como pessoas jurídicas
e as empresas que utilizam seus serviços, em substituição
ao contrato de trabalho pela Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT).
Appy participou da abertura do
Seminário "Política Fiscal na América
Latina", que está sendo realizado no Ministério da
Fazenda, em Brasília, e é organizado pela Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e do
ministério.
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