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Brasília - O coordenador geral do
Conselho Indígena de Roraima (CIR), o makuxi Dionito José
de Souza, reagiu às declarações do governador
José de Anchieta Júnior, que definiu hoje (6) como ato "terrorista” a
entrada de índios e a construção de barracos em
propriedade do arrozeiro Paulo César Quartiero.
“Um governo desse não
tem política para todos os povos que lá existem. Eu
vejo ele muito anti-indígena, desrespeitoso e discriminador”,
criticou Souza.
Segundo o dirigente do
CIR, a ação dos índios não pode ser qualificada como invasão.
“Ele [Quartiero] tem
fazenda mas não tem terra. A terra é da União,
que foi dada aos povos indígenas. Por isso os índios
estão trabalhando para construir suas casas. Estamos ocupando
nossa terra já que o governo federal demarcou e
homologou. Ali é nosso e não podemos ficar sem
trabalhar”, justificou. Ontem (5), dez índios foram baleados por
funcionários de arrozeiros, quando ocupavam parte da fazenda
Depósito, de propriedade do líder dos produtores e
prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero.
O líder indígena
vai se reunir hoje (6) com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF)
Carmem Lúcia. O objetivo é levar argumentos de que a
demarcação da reserva em área contínua
não representa risco à soberania nacional e
informações sobre a produção agrícola
e pecuária das comunidades.
A corte vai julgar nas
próximas semanas ações que contestam a
demarcação da Raposa Serra do Sol e definir se os
produtores de arroz podem ou não permanecer nas fazendas da
região. O grupo se negou a deixar a área, como previa o
decreto de homologação de 2005, sob alegação
de que as indenizações oferecidas foram baixas e as
ações para reassentamento ruins.
O CIR já
entregou documentos a cinco ministros e pretende encaminhar aos
demais antes de os processos irem ao plenário, em data a ser
agendada pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes.
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