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Brasília - Se depender do novo presidente do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), candidatos que tiverem contas a prestar à
Justiça não poderão disputar os votos da
população brasileira no futuro. Essa posição
ficou clara no discurso de posse do magistrado sergipano, na noite de
hoje (6), quando previu que o órgão terá que
enfrentar fundamentais questionamentos para a qualidade de vida
política do país, como o pedido de registro de "uma
candidatura notoriamente identificada pela tarja de processos
criminais e ações de improbidade administrativa, que,
pelo seu avultado número, sinalizam um estilo de vida do mais
aberto namoro com a delitividade".
"Será que
não começa por aí a concretização
da idéia-força de que o povo merece o melhor?",
interrogou-se Ayres Brito, antes de ressaltar que a palavra
"candidato" vem de cândido, limpo, depurado, enquanto
o vocábulo "candidatura", convergentemente, não
significa senão candura, pureza, depuração
ético-representativa. Nesta quarta-feira (7), às 11h,
na sede do TSE, em Brasília, o ministro Ayres Brito dará
sua primeira entrevista coletiva como presidente do órgão,
para explicar esta e outras posições reveladas no seu
discurso de posse.
Ayres Brito tomou posse para um mandato de
dois anos, juntamente com o vice-presidente Joaquim Barbosa. Os dois
vão comandar a organização das eleições
municipais de outubro deste ano. Pelo sistema de rodízio na
presidência do TSE, caberá a Joaquim Barbosa assumir a
presidência e comandar o processo eleitoral de 2010, quando
será escolhido o novo presidente da República.
O
novo presidente da TSE aproveitou a presença dos presidentes
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi
Alves (PMDB-RN), além do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e
inúmeros outros políticos, para atacar a corrupção
na política do país. Segundo ele, falar de qualidade de
vida política requer, de um lado, "a eterna vigilância
contra aqueles políticos que não perdem oportunidade
para fazer de sua caneta um pé-de-cabra e, de outro, valorizar
os que tornam a política a mais essencial, a mais bonita, a
mais realizadora de todas as vocações humanas: a
vocação de servir a todo o povo".
O
ministro Carlos Ayres Brito citou ainda outros temas que poderão
ser enfrentados pela Justiça Eleitoral em sua gestão
para melhorar a qualidade de vida política no país:
fidelidade dos partidos aos seus programas; partidos com
proprietários ou donos, "cartorialmente oligarquizados,
como se fossem a mais colonial das fazendas de gado"; regras de
exclusão em que se traduzem o quociente eleitoral e o fenômeno
das sobras de votos, que possibilitam a candidatos e partidos se
apropriarem de sufrágios que não receberam da pia
batismal das urnas".
Outro ponto levantado por ele, como
passível de modificação pela Justiça
Eleitoral, foi a suplência dos senadores e candidaturas de
vices do Poder Executivo, que não aparecem na tela da urna
eletrônica. Para ele, a Justiça pode informar melhor o
eleitor, divulgando foto e nome dos suplentes "que poderão
até ficar no lugar dos titulares sem, no entanto, receber
diretamente um voto sequer.
As regras atuais sobre o uso dos órgãos
de comunicação social como veículos de interação
com o eleitorado foi outro ponto abordado pelo ministro como passível
de revisão. Ele também levantou dúvidas se as
políticas públicas de conteúdo social e as obras
de infra-estrutura econômica e também de cunho social
deverão sofrer paralisia em ano eleitoral.
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