O ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, descartou a possibilidade de criação
de uma vacina contra a dengue nos próximos cinco a dez anos no
país.
Segundo ele, vários grupos de
pesquisadores de instituições como a Universidade de
São Paulo (USP) e Fundação Osvaldo Cruz
(Fiocruz), e também de empresas vêm trabalhando no
desenvolvimento da vacina, mas ainda não há
perspectivas de resultados imediatos.
“Não teremos
vacinas no próximos cinco a dez anos”, reforçou o
ministro. Segundo Temporão, “a vacina é complexa
porque tem que proteger dos quatro sorotipos ao mesmo tempo. Ou seja,
você tem que ter numa única vacina quatro antígenos.
Eles têm que se integrar, ter estabilidade e dar uma reposta
imunológica importante. Por isso, é tão
complicado”, explicou.”
Para ele, a inviabilidade da
vacina a curto prazo mostra que, em vez de acreditar em “fantasias”,
é preciso de trabalhar cada vez mais para reduzir a infestação
pelo mosquito Aedes aegypti.
Para o ministro, três dimensões
precisam ser contemplados para combater a dengue. A primeira delas
está ligada a questões estruturais das cidades que
inviabilizam a atuação adequada do cidadão, como
a falta de gestão do lixo e de abastecimento de água.
Segundo
ele, há no país 18 milhões de pessoas sem água
encanada vivendo em áreas urbanas e mesmo onde existe
abastecimento. A situação acaba forçando-as a
acumular água em recipientes e reservatórios, que
correm o risco de se tornarem criadouros de mosquitos.
Além
disso, mais de 63% dos municípios brasileiros mantém
lixões que favorecem o acúmulo de água em meio
aos entulhos e detritos. “É preciso ações
coordenadas numa política intersetorial que enfrente a questão
do lixo e da oferta irregular de água”, defendeu.
Em segundo lugar, o ministro apontou a educação,
conscientização e mobilização de todos em
ações mensais nos municípios para detectar focos
potenciais de proliferação do mosquito e limpar a
cidade.
Por último, Temporão apontou o papel do
sistema de saúde. “Se tudo falhar e a doença chegar,
o sistema de saúde tem que dar conta estar organizado
adequadamente, com uma rede de atenção primária
forte, para evitar o óbito”.
O ministro participou
hoje (6) de uma audiência pública na Comissão de
Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados
sobre o surto de dengue no país.
Temporão informou também que o
Ministério da Saúde está fazendo um levantamento
para ver quais grupos estão com pesquisas mais avançadas
sobre a vacina contra a dengue. O governo, adiantou o ministro,
pretende apoiar aquelas instituições que estiverem na
dianteira desse processo.