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6 de Maio de 2008 - 15h24 - Última modificação em 6 de Maio de 2008 - 15h32


Conselho de defesa dos direitos humanos vai apurar ameaças a bispos no Pará

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Uma comissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana visitará, ainda neste mês, cidades do interior do Pará para apurar denúncias de casos de tráfico de seres humanos, exploração sexual de crianças e adolescentes e pedofilia na região. O requerimento foi aprovado hoje (6) em reunião extraordinária do conselho, da qual participaram os bispos dom Luiz Ascona, dom Flávio Giovanelle e dom Erwin Krautler, além do padre José Amaro Lopes, todos ameaçados de morte em municípios paraenses.

A comissão deve chegar a Belém, capital do estado, no próximo dia 19 e seguir para as localidades que registram o maior número de denúncias, como Abaetetuba, Prelado do Xingu e Anapu.

O relatório final – que será encaminhado ao governo federal – incluirá medidas como a instalação de um posto da Polícia Federal em Abaetetuba. Segundo o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), líder da minoria na Câmara dos Deputados e membro do conselho, o município é considerado “corredor do tráfico de drogas” no estado.

Ele disse que é preciso cobrar das autoridades públicas do estado do Pará e do governo federal serenidade na apuração dos fatos e punição dos envolvidos em tais crimes. "Se houver determinação política, vontade dos agentes públicos, sobretudo do governo do estado e do governo federal, acho que a gente reverte de maneira muito ligeira.”

Outra proposta é a instalação de uma comarca (área jurisdicional que abrange um ou mais municípios) em Anapu – cidade onde a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros em 2005.

O pároco de Anapu, José Amaro Lopes de Souza, que trabalhou com Dorothy Stang durante 15 anos, lembrou que hoje é o segundo dia do novo julgamento do réu confesso da missionária e lamentou a impunidade na região. “As coisas acontecem e as pessoas não são punidas. Vejo a coisa andar muito lentamente. A gente não quer vingança. Queremos mesmo que se faça justiça.”

Segundo o deputado Zenaldo Coutinho, ao denunciarem a ausência do Estado e pedirem uma presença mais forte da Polícia Federal na repressão aos crimes, os religiosos são ameaçados de morte porque “estão contrariando os interesses das organizações criminosas”.

Assim como os bispos e o padre José Amaro, o deputado admite a inexistência de um modelo de desenvolvimento voltado exclusivamente para as peculiaridades da região Amazônica. “Infelizmente, até agora não. Temos, no estado do Pará, o
macrozoneamento ecológico, mas precisamos fazer o microzoneamento e, a partir daí, pelas vocações locais, definir as ações próprias, eliminando os conflitos que hoje ocorrem na região por falta de planejamento.”




 


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