|
Brasília - Uma
comissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
visitará, ainda neste mês, cidades do
interior do Pará para apurar denúncias de casos de
tráfico de seres humanos, exploração sexual de
crianças e adolescentes e pedofilia na região. O
requerimento foi aprovado hoje (6) em reunião extraordinária
do conselho, da qual participaram os bispos dom Luiz Ascona,
dom Flávio Giovanelle e dom Erwin Krautler, além do
padre José Amaro Lopes, todos ameaçados de morte em
municípios paraenses.
A
comissão deve chegar a Belém, capital do estado, no próximo dia 19 e seguir para as localidades que registram o
maior número de denúncias, como Abaetetuba, Prelado do
Xingu e Anapu.
O
relatório final – que será encaminhado ao governo
federal – incluirá medidas como a instalação de
um posto da Polícia Federal em Abaetetuba. Segundo o deputado federal Zenaldo Coutinho
(PSDB-PA), líder da minoria na Câmara dos Deputados e
membro do conselho, o município é considerado “corredor do tráfico de drogas” no
estado.
Ele disse que é preciso cobrar
das autoridades públicas do estado do Pará e do governo
federal serenidade na apuração dos fatos e
punição dos envolvidos em tais crimes. "Se houver
determinação política, vontade dos agentes
públicos, sobretudo do governo do estado e do governo federal,
acho que a gente reverte de maneira muito ligeira.”
Outra
proposta é a instalação de uma comarca (área
jurisdicional que abrange um ou mais municípios) em Anapu –
cidade onde a missionária norte-americana naturalizada
brasileira Dorothy Stang foi assassinada com seis tiros em 2005.
O pároco
de Anapu, José Amaro Lopes de Souza, que trabalhou com Dorothy Stang durante 15 anos, lembrou que hoje é o segundo dia
do novo julgamento do réu confesso da missionária e lamentou a
impunidade na região. “As
coisas acontecem e as pessoas não são punidas. Vejo a
coisa andar muito lentamente. A gente não quer vingança.
Queremos mesmo que se faça justiça.”
Segundo o deputado Zenaldo Coutinho, ao denunciarem a ausência do Estado
e pedirem uma presença mais forte da Polícia Federal na
repressão aos crimes, os religiosos são ameaçados de morte
porque “estão contrariando os interesses das organizações
criminosas”.
Assim como os bispos e o padre José Amaro, o deputado admite a inexistência
de um modelo de desenvolvimento voltado exclusivamente para as
peculiaridades da região Amazônica. “Infelizmente,
até agora não. Temos, no estado do Pará, o macrozoneamento ecológico, mas precisamos fazer o microzoneamento
e, a partir daí, pelas vocações locais, definir
as ações próprias, eliminando os conflitos que
hoje ocorrem na região por falta de planejamento.”
|