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Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou hoje (6) que o grande número de mortes por dengue no Rio de Janeiro é resultado da desorganização do sistema de saúde do município, que tem sido centrado no atendimento hospitalar. Ao participar de uma audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados sobre o surto de dengue no país, o ministro comparou a situação carioca com a de Campo Grande (MS) que, no ano passado, teve, segundo ele, uma epidemia pior que a do Rio de Janeiro, mas registrou apenas duas mortes. “Campo Grande só teve dois óbitos por causa do Programa de Saúde da Família e da maneira como o atendimento se organizou. Desde o início, quando a população ainda aguardava na fila para ser atendida, já estava sendo hidratada. No Rio de Janeiro, perdemos tantas vidas, porque ele ainda centra o eixo da sua política de atenção à saúde em grandes hospitais de pronto socorro e inexiste uma política forte de qualidade de atenção primária”, afirmou Temporão. Ao falar com os jornalistas o ministro acrescentou: “O Rio de Janeiro tem que repensar a maneira de organizar o seu sistema de saúde, para que possa dar respostas mais adequadas a mortes por essa doença”. De janeiro até agora, foram confirmadas na capital fluminense 62 mortes por dengue. Segundo Temporão, embora a situação da dengue tenha melhorado no Rio, com a doença hoje em declínio, é preciso trabalhar o ano todo, para evitar que novos surtos ocorram em 2009, inclusive nas regiões Norte e Nordeste. “Vamos ter que trabalhar muito duro esse ano para evitar que 2008 se repita num outro contexto, numa outra localidade”, afirmou. Dados apresentados pelo ministro, durante a audiência, apontam 14 estados com alto risco de dengue no ano que vem. As chamadas áreas potenciais para a doença incluem todos os estados da região Norte, os do Sudeste, exceto o Espírito Santo, e os do Nordeste, exceto Alagoas, Sergipe e Paraíba.
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