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Brasília - A
Comissão de Direitos
Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados divulgou hoje (7)
nota oficial contrária a duas Ações Diretas de
Inconstitucionalidade (ADINs) em pauta no Supremo Tribunal Federal
(STF) que questionam políticas afirmativas na área
educacional. Uma delas contra o sistema de cotas nos vestibulares e
outra contra o Programa Universidade para Todos (Prouni).
Para
o presidente da comissão, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS),
as ações movidas por organizações da
sociedade civil representam um retrocesso. “Nós estamos
externando aos ministros do STF e à sociedade, de que pela
primeira vez nós temos um resgate de parte da dívida
que o estado brasileiro tem com os afrodescendentes. Na medida em que
se estabelece uma política de discriminação
positiva, nós vemos um enfrentamento muito duro por parte de
setores da sociedade que se movimentam de forma muito explícita
contra essas conquistas”, defendeu.
A
nota foi divulgada durante a abertura do 1° Seminário de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que
segue até amanhã (8). Segundo o documento, o grupo foi
“vitimizado historicamente pela desigualdade social, econômica
e educacional da população negra comparada à
população não-negra”. Nesse contexto, a
comissão alega que as políticas afirmativas buscam
promover tais reparações. “Logo, não geram
privilégios, e sim promovem uma equiparação”,
diz a nota.
Mattos
acredita que no Brasil há um “interação
razoável” do afrodescendente com o branco, mas que o acesso
às oportunidades ficam sempre com os não-negros.
“Quando há a possibilidade de o negro ter acesso à
educação, o questionamento é forte. Queremos
denunciar isso, temos um convívio harmonioso aparente, mas na
hora de acertar contas há uma reação equivocada
de segmento da sociedade que eu espero que não tenha amparo do
poder Judiciário ”, afirmou.
Os
membros da comissão e da sociedade civil que participam do
seminário também pedem a aprovação
urgente do Estatuto da Igualdade Racial, que há dez anos
tramita no Congresso.
“Ele
oficializa atitudes para garantir direitos por leis, e não por
programas ou ações. É preciso que não
sejam metas de um ou outro governo, mas um compromisso do estado
brasileiro consolidado em legislações maduras”,
apontou.
Também presente ao seminário, o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, deputado Carlos Santana (PT-RJ), afirma que as políticas públicas voltadas para diminuir a desigualdade racial ainda são deficientes.
“Nós entendemos que temos várias leis, que combatem a discriminação, mas não há leis que façam com que diminua a discriminação no campo das políticas públicas, tanto para a educação, quanto para a saúde, como para a questão da terra e cultura”, disse Santana.
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