O ministro de Ciênciae Tecnologia, Sergio Rezende, anunciou hoje (7) a intenção
de construir novas usinas nucleares no país. Em entrevista a
jornalistas da imprensa internacional organizada pela Presidência
da República no Rio, Rezende disse que a discussão
sobre o programa nuclear brasileiro ganhou força no governo e,
em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve aprovar
um fórum composto por oito ministérios com a meta de
traçar estratégias para o setor.
"Nos últimos
três meses, o programa nuclear brasileiro passou a ser
discutido de maneira mais aberta dentro do governo e o presidente da
República está em vias de assinar um decreto criando o
Comitê de Desenvolvimento Nuclear Brasileiro, formado por oito
ministros e dirigentes da área nuclear", informou
Rezende.
Segundo o ministro, o comitê já definiu
os principais temas para as primeiras reuniões, entre eles a
instalação de novas usinas nucleares no Brasil até
2030, além da produção de urânio. "Temos
uma agenda de discussões que serão feitas durante
vários meses até que decisões sejam tomadas, em
relação a quantas usinas [serão construídas],
onde serão localizadas, os recursos necessários para
poder ter tudo o que está sendo discutido".
Rezende
defendeu a instalação de usinas nucleares devido às
"tarifas competitivas" frente a outras fontes de energia, à
disponibilidade de urânio no país, "a sexta maior
reserva comprovada do mundo", à demanda interna e ao
complexo tecnológico representado pela Indústria
Nuclear do Brasil (INB), vinculada ao ministério.
O ministro reconheceu que o país ainda não domina totalmente o
ciclo da produção de energia nuclear, mas afirmou que
isso é uma questão de tempo. "Estamos em um processo
de intensificação da produção do
combustível nuclear. Em 2010, teremos condições
de ter domínio completo de todo o ciclo".
Questionado
se haverá no comitê vagas para representantes da
sociedade civil, o ministro da Ciência e Tecnologia respondeu
que "o comitê é do governo". "Naturalmente, até
o plano [feito pelo comitê para o setor] ser executado
haverá muita discussão da sociedade, o que incluirá
empresas e entidades não-governamentais".