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7 de Maio de 2008 - 21h10 - Última modificação em 7 de Maio de 2008 - 21h10


Presidente de associação de produtores de algodão defende uso de transgênicos

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Queixas e um prognóstico negativo para a próxima safra foram alvo do discurso de posse de Haroldo Rodrigues da Cunha, que assumiu hoje (7), o cargo de presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Ele disse que os produtores passam por um momento delicado, com tributação e juros altos, a convivência com a concorrência asiática, taxa de câmbio desfavorável às exportações, condições precárias para escoamento da produção e demora na adoção de biotecnologias.

Atualmente, o Brasil é o quinto maior produtor e o quarto maior exportador do produto, mas, segundo Cunha, já se espera uma redução de até 20% na produção do próximo ano. De todos os problemas, o presidente da associação considera que o atraso na adoção de sementes geneticamente modificadas é o que mais traz prejuízos aos produtores de algodão.

Segundo estudo da Abrapa divulgado hoje, os 160 mil produtores de algodão do país gastaram, até o ano passado, cerca de R$ 2 bilhões a mais do que se tivessem começado a utilizar a tecnologia na época esperada.

O novo presidente da Abrapa disse que, enquanto nos Estados Unidos as sementes de algodão transgênico foram aprovadas em 1996, no Brasil, o mesmo processo só aconteceu em 2005, para início de produção em 2007. Os estudos mostram que a utilização do Algodão Bolgard, resistente a algumas larvas, resulta numa economia de US$ 237, por hectare plantado.

Enquanto o Brasil começa a utilizar o Bolgard só agora, os produtores americanos já plantam espécies de algodõão mais resistentes, que reduzem o custo de produção em até US$ 390 por hectare. O novo presidente da Abrapa diz que questões ideológicas dificultam o avanço no uso das novas tecnologias no Brasil. 

“Algumas pessoas ficam colocando uma série de dificuldades, muito mais por uma questão ideológica, de não deixar o processo andar, e isso faz com que não se aprove nada. Então, é preciso que haja uma interferência dos órgãos competentes para que a comissão [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio] destrave e ponha para andar esses processos que estão parados”, afirmou.

Quanto às demais barreiras, Cunha defende que o governo intervenha no valor dos juros pagos pelos produtores e também no câmbio. “Já está tendo reflexo na balança comercial brasileira essa valorização [do Real]. Em algum momento, isso pode inviabilizar o setor. Se continuar entrando dólar e começar a ir para níveis perto de R$ 1,50, não sabemos onde vamos parar no setor produtivo,”queixou-se.





 


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