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Brasília - Queixas e um
prognóstico negativo para a próxima safra foram alvo do
discurso de posse de Haroldo Rodrigues da Cunha, que assumiu hoje
(7), o cargo de presidente da Associação Brasileira dos
Produtores de Algodão (Abrapa).
Ele disse que os produtores
passam por um momento delicado, com tributação e juros
altos, a convivência com a concorrência asiática,
taxa de câmbio desfavorável às exportações,
condições precárias para escoamento da produção
e demora na adoção de biotecnologias.
Atualmente, o Brasil é o quinto maior
produtor e o quarto maior exportador do produto, mas, segundo Cunha,
já se espera uma redução de até 20% na
produção do próximo ano. De todos os problemas,
o presidente da associação considera que o atraso na
adoção de sementes geneticamente modificadas é o
que mais traz prejuízos aos produtores de algodão.
Segundo estudo da Abrapa divulgado hoje, os 160
mil produtores de algodão do país gastaram, até
o ano passado, cerca de R$ 2 bilhões a mais do que se tivessem
começado a utilizar a tecnologia na época esperada.
O novo presidente da Abrapa disse que, enquanto
nos Estados Unidos as sementes de algodão transgênico
foram aprovadas em 1996, no Brasil, o mesmo processo só
aconteceu em 2005, para início de produção em
2007. Os estudos mostram que a utilização do Algodão
Bolgard, resistente a algumas larvas, resulta numa economia de US$
237, por hectare plantado.
Enquanto o Brasil começa a utilizar o
Bolgard só agora, os produtores americanos já plantam
espécies de algodõão mais resistentes, que
reduzem o custo de produção em até US$ 390 por
hectare. O novo presidente da Abrapa diz que questões
ideológicas dificultam o avanço no uso das novas
tecnologias no Brasil.
“Algumas pessoas ficam colocando uma série
de dificuldades, muito mais por uma questão ideológica,
de não deixar o processo andar, e isso faz com que não
se aprove nada. Então, é preciso que haja uma
interferência dos órgãos competentes para que a
comissão [Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança - CTNBio] destrave e ponha para andar esses
processos que estão parados”, afirmou.
Quanto às demais barreiras, Cunha defende
que o governo intervenha no valor dos juros pagos pelos produtores e
também no câmbio. “Já está tendo reflexo
na balança comercial brasileira essa valorização
[do Real]. Em algum momento, isso pode inviabilizar o setor.
Se continuar entrando dólar e começar a ir para níveis
perto de R$ 1,50, não sabemos onde vamos parar no setor
produtivo,”queixou-se.
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