O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) deve permanecer no patamar de dois dígitos num período de 12 meses, quando a Fundação Getúlio Vargas (FGV) fechar as contas para o índice, em maio. A estimativa é do coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Salomão Quadros, que comentou o resultado do índice para os últimos 12 meses, divulgado hoje (7). O IGP-DI fechou o período, analisado até abril, com uma taxa de 10,24%, a maior desde março de 2005.

“As taxas deste ano já estão muito acima das taxas do ano passado”, constatou. Em abril do ano passado, por exemplo, a taxa foi de 0,14% e a de maio ficou em 0,16%. Já no mês passado, o IGP-DI variou 1,12%. “Se você tiver qualquer coisa acima de 0,16% [neste mês de maio], o que é bem provável, a taxa em 12 meses sobe ainda mais. Eu acho que diminuir a taxa do IGP, no período de 12 meses, é uma coisa que pode ocorrer somente no segundo semestre”, indicou o economista da FGV. O IGP-DI faz parte de uma cesta de índices utilizada como parâmetro para a correção dos contratos de telefonia.

A perspectiva é que o índice tenha taxas menores a partir de agosto, de acordo com Quadros, podendo resultar na diminuição da taxa em 12 meses. “Mas não quer dizer que sejam taxas muito baixas. Elas podem ser menores que as do ano passado, que foram muito altas. No segundo semestre de 2007, a gente passou a ter taxas acima de 1% continuamente”, disse.

A alta registrada pelo IGP-DI foi puxada por alimentos e commodities, produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional. Entre eles, Quadros destacou minérios de ferro, de cobre e de manganês, produtos siderúrgicos e derivados de petróleo, como querosene e fertilizantes.

“Alimentos têm uma importância grande, mas já tem outros itens aparecendo, pelo menos nesse mês”, afirmou Quadros. O impacto do grupo alimentação foi maior no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo ele.