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Brasília - O fundo
soberano, que será criado pelo governo para financiar as
atividades de empresas brasileiras no exterior, não contará
com recursos das reservas internacionais, disse hoje (7) o ministro
da Fazenda, Guido Mantega. “Os recursos poderão vir de fonte
fiscal tributária [da arrecadação de
impostos] e também da aquisição direta de
dólares no mercado local”, ressaltou.
Segundo o ministro, a criação do
fundo soberano não exigirá mudanças na
legislação, porque o Tesouro Nacional já está
habilitado a fazer as operações necessárias para
formar o fundo. “O Tesouro já faz isso, compra dólares,
administra a carteira de dólares e de títulos”,
explicou.
De acordo com Mantega, o fundo contará com
recursos da ordem de 5% a 10% das reservas internacionais
brasileiras, atualmente estimadas em US$ 196,3 bilhões. De acordo com o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, a quantia equivalerá a algo
entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Mais cedo, o
secretário
do Tesouro, Arno Augustin, tinha declarado que o fundo contaria
com US$ 20 bilhões.
O ministro da Fazenda esteve reunido hoje (7), no
Palácio do Planalto, com o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
Luciano Coutinho. No encontro, foi feita uma avaliação
da concessão do grau de investimento ao Brasil, na última
semana, pela agência de avaliação internacional
de risco Standard & Poor’s.
Na avaliação de Mantega, ainda não
há motivos para temer os efeitos negativos de uma eventual
enxurrada de dólares no Brasil porque existe uma crise
internacional que inibe o fluxo de dinheiro em todo o mundo. “Está
faltando liquidez no cenário internacional, o que significa
que não está sobrando muito dinheiro para vir aqui para
o Brasil”, explicou.
Por causa da instabilidade no setor financeiro
internacional, o ministro afirmou que os recursos que entrarão
no Brasil não serão especulativos, mas destinado a
ampliar os investimentos que criam empregos. “Haverá um
aumento gradual de investimento externo, que será positivo
porque se somará ao investimento que está ocorrendo
hoje no Brasil, de modo a ampliar a produção nacional e
eventualmente as exportações”, disse.
O ministro não confirmou se a
equipe econômica está estudando medidas para desestimular a
entrada de capital especulativo no país. Ele, no entanto,
disse que a cobrança de 1,5% de Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF), dos estrangeiros que aplicam em renda fixa e em
títulos do governo brasileiro, já inibiu o ingresso de
dinheiro de curto prazo no Brasil.
“Desde quando introduzimos o IOF sobre
aplicações estrangeiras em renda fixa, houve uma
diminuição bastante sensível dessa modalidade de
aplicação”, alegou o ministro. “O que está
havendo é uma entrada maior na bolsa, o que é salutar,
investimento direto e empréstimos brasileiros para empresas
brasileiras investirem”, afirmou.
Para Mantega, a concessão do grau de
investimento ao Brasil não trará mudanças a
curto prazo. “O Brasil já era considerado pelos investidores
estrangeiros, pelos interessados em fazer aplicações
sólidas, como um país bastante atraente. O grau de
investimento apenas veio confirmar uma situação já
existente”, enfatizou.
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