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Brasília - A
Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara
dos Deputados rejeitou hoje (7) a descriminalização do
aborto, proposta em projetos dos ex-deputados Eduardo Jorge e Sandra
Starling. A rejeição se deu com a aprovação
do parecer do relator do projeto, deputado Jorge Tadeu Mudalen
(DEM-SP), contrário a mudanças na lei, para legalizar
o aborto.
A
aprovação do parecer ocorreu pela unanimidade dos 33
deputados presentes, uma vez que os parlamentares favoráveis à
descriminalização do aborto se retiraram do plenário
da comissão, em protesto contra a rejeição de
requerimentos, para que a proposta fosse melhor discutida.
No
seu parecer, o relator argumentou que "a Constituição
Federal protege a vida como um direito fundamental, em cláusula
pétrea" e que a "Constituição dá
prioridade expressa ao direito à vida e o coloca sobre a
proteção da família, da sociedade e do Estado",
disse José Tadeu Mudalen.
Dentre
os deputados que se retiraram da sessão, o deputado Paulo
Rubem Santiago (PDT-PE) disse aos membros da comissão que
admitia perder "democraticamente", mas que não
aceitava o "cerceamento da liberdade" das mulheres.
O
deputado José Genoíno, também favorável à
descriminalização, disse que a melhor pessoa para
decidir sobre a interrupção da gravidez é a
própria mulher. "A mulher é quem deve ser a juíza.
Estou defendendo que a mulher decida e o estado ofereça as
condições para atendê-la", afirmou.
Manifestantes
pró e contra a descriminalização do aborto
acompanharam a reunião e, em alguns momentos, gritavam
palavras de ordem como " o estado é laico" e "não
à hemorragia, contra o aborto". Em vários momentos
o presidente da comissão, deputado Jofran Frejat (PR-DF), teve
de pedir ordem aos manifestastes.
Com
a aprovação do relatório, a matéria, que
tramita no Congresso há 17 anos, segue para votação
na comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania da Câmara, que vai examinar os pressupostos de
constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa das
propostas dos ex-deputados.
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