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8 de Maio de 2008 - 19h22 - Última modificação em 8 de Maio de 2008 - 19h22


Brasil ajudará país mais pobre do mundo na produção de alimentos

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O Brasil prestará ajuda emergencial ao país africano de Serra Leoa na produção de arroz, principal produto alimentício do país. O pedido foi feito pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Zainab Bangura, e pelo Ministro de Comércio e Indústria de Serra Leoa, Alimamy Koroma, que estão no Brasil desde ontem (7). Segundo o chefe da Assessoria de Relações Internacionais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Elisio Contini, a assistência técnica ficará a cargo da  Embrapa África, instalada em Gana.

Representantes do escritório da Embrapa na África já estiveram duas vezes em Serra Leoa este ano e identificaram oportunidades de cooperação nas culturas de arroz, castanha de caju, mandioca e milho. Até agora, porém, não há nenhum acordo formal entre os dois países. “Estão pedindo o apoio da Embrapa para ajudar em tecnologia para a produção de arroz, que é produto principal para abastecimento interno, e, no futuro, em cana-de-açúcar para produção de etanol”, diz Contini.

A intenção de produzir biocombustível já havia sido manifestada pelo presidente de Serra Leoa, Ernest Koroma, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião no dia 20 de abril, à margem da 12ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), em Acra. Na ocasião, Brasil e Gana firmaram acordo para produção de etanol e biodiesel a partir de tecnologia da Embrapa.

Agora, os ministros de Serra Leoa deixaram claro que a prioridade do país é a mesma da grande maioria das nações africanas: a seguramça alimentar. Para isso, estão inclusive dispostos a importar arroz brasileiro, segundo Elisio Contini – com esse objetivo estiveram também na Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab). “É um país muito pobre, que recém saiu de uma guerra civil e 70% da população é rural. Se faltar arroz e feijão fica difícll até manter a democracia”, avalia o chefe da Embrapa.

Ele afirma que os ministros africanos também fizeram um apelo ao governo brasileiro para que leve empresários à Serra Leoa. Uma das possibilidades, de acordo com Contini, seria investimentos em canais de irrigação. “O arroz irrigado do Rio Grande do Sul pode se adaptar bem lá”, acredita.

Localizado na África Ocidental, Serra Leoa é o país mais pobre do mundo e tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,336 em 2005 – o IDH do Brasil é de 0,8 e o maior do mundo, da Islândia, é de 0,96.

Serra Leoa também tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo (161 por mil crianças nascidas vivas). Mais da metade da população é analfabeta. E os indicadores já foram piores. Em 1998, em plena guerra civil, Serra Leoa registrava um IDH de 0,252. Apesar de rico em minerais como diamante, ferro, platina e bauxita, o país de 4,9 milhões de habitantes ainda depende de ajuda humanitária internacional.



 


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