|
Brasília - O Conselho Indígena
de Roraima (CIR) anunciou hoje (8) que 13 mil alunos de escolas indígenas de todo o estado
vão se ausentar das aulas por tempo indeterminado em repúdio ao atentado sofrido por membros da comunidade na Terra Indígena
Raposa Serra do Sol.
A medida também é uma reação
à posição do governador José de Anchieta
Júnior, que classificou o fato de índios terem entrado na propriedade do arrozeiro Paulo César Quartiero como
terrorismo, prática que os indígenas atribuem aos
rizicultores.
“Temos conversado com
as lideranças e eles acham mais importante tirar os
terroristas [os não-índios] de lá. O estudo depois tem como repor, mas não
dá para ficar indo à escola com esse clima, essa
insegurança”, afirmou à Agência Brasil o
coordenador geral do CIR, Dionito José de Souza, quando
questionado se a medida não implicaria em prejuízos
significativos para as próprias comunidades.
A tensão
permanece em Roraima com os moradores da Raposa Serra do Sol e
autoridades do estado à espera do julgamento no Supremo
Tribunal Federal (STF) de ações que questionam a demarcação
da reserva em área contínua. A corte deve decidir em no
máximo três semanas se os não-índios que
possuem terras na área de 1,7 milhão de hectares
poderão ou não permanecer lá.
Na última
terça-feira (6), o líder dos arrozeiros e prefeito de
Pacaraima, Paulo César Quartiero, foi preso pela Polícia
Federal (PF) por porte ilegal de armas e artefatos explosivos dentro
da fazenda Depósito. Ele foi encaminhado para Brasília
e está detido na sede da superintendência da regional da
PF, à disposição da Justiça Federal,
assim como o seu filho Renato Quartiero e outros funcionários
da família.
O desembargador do
Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região Cândido
Ribeiro será o responsável por marcar e colher o
depoimento do arrozeiro, bem como julgar um pedido de habeas corpus
em favor do produtor.
|