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Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto negou
hoje (8) pedido da União e da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a
expedição de mandado de busca e apreensão de armas, munições e
explosivos na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
A petição
tinha sido juntada ao processo ajuizado pelo governador de Roraima e
que resultou na suspensão da Operação Upatakon 3, da Polícia Federal,
criada com objetivo de retirar não-índios da área. Entretanto, o ministro
entendeu que, pela natureza do pedido, a competência processual seria
da Justiça Federal de Roraima.
A União e a Funai queriam que o Supremo autorizasse o ingresso
da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública nas
fazendas ocupadas pelos não-índios para recolher armas que estivessem
na posse dos fazendeiros. O pedido foi apresentado após dez indígenas
terem sido baleados na última segunda-feira (5) por funcionários da
Fazenda Depósito, do líder dos arrozeiros, Paulo César
Quartiero.
Ayres Britto ressaltou, entretanto, que o pedido deveria
abranger também armas eventualmente utilizadas pelos próprios índios. “Mesmo porque é pública e notória a animosidade recíproca, na
região, entre índios e não-índios, cada parte ameaçando a outra com a
‘lei da força’ e não com a ‘força da lei’”, avaliou.
O ministro também disse ter “dúvida” sobre o caráter pacífico da
ocupação que os índios promoveram na fazenda de Quartiero.
“As próprias
lideranças envolvidas no litígio – em quem se presume um certo nível de
esclarecimento – resolveram fazer justiça por conta própria, sem
aguardar o pronunciamento definitivo do Poder Judiciário. Certamente,
não é uma atitude que mereça o beneplácito desse mesmo Poder”,
concluiu.
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