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Brasília - A Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou hoje (8) a importação de mais um milhão de toneladas de trigo de fora do Mercosul, com isenção de impostos, para impedir a escassez do produto no Brasil. O órgão aprovou resolução, que cria duas cotas adicionais de 500 mil toneladas de trigo até 30 de junho. De acordo com a Camex, órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estudos técnicos apontaram a necessidade de ampliar as importações de trigo, para evitar o desabastecimento antes do início da colheita do produto no Brasil, que só começa em julho. No final de janeiro, o órgão tinha permitido a compra de um milhão de toneladas de trigo de fora do Mercosul, sem o Imposto de Importação de 10%. A decisão havia sido tomada após a Argentina suspender a venda do cereal para o Brasil, no início do ano. Atualmente, o Brasil importa 70% do trigo que consome. A resolução, que cria as cotas adicionais, precisa ser publicada no Diário Oficial da União, para entrar em vigor. A Camex, no entanto, informou que a data de publicação ainda não está definida. Na terça-feira (6), a secretária-executiva da Camex, Lytha Spíndola, havia afirmado que o Brasil, até agora, tinha utilizado cerca da metade da cota de um milhão de toneladas decidida em janeiro – 100 mil efetivamente importadas e 400 mil com pedido de compra. Na ocasião, ela disse que a criação de cotas adicionais não era urgente e descartou risco de desabastecimento. De acordo com a Camex, no entanto, a elevação do limite de trigo com isenção de impostos para a importação foi necessária, porque algumas empresas querem continuar com as compras do cereal. “Embora ainda remanesçam saldos desse montante [da cota autorizada em janeiro], algumas empresas já utilizaram quase integralmente suas cotas individuais do cereal”, justificou o órgão, em nota oficial. O comunicado também informou que o governo brasileiro voltou a entrar em contato hoje (8) com representantes do governo argentino, para expressar o interesse do país em comprar trigo do país vizinho. Para o Brasil, a importação da Argentina é mais barata do que a do cereal produzido nos Estados Unidos e no Canadá.
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