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Brasília - Representantes
de organizações não-governamentais (ONGs)
ambientalistas estão recolhendo assinaturas durante a 3° Conferência
Nacional do Meio Ambiente contra propostas
do Executivo e do Legislativo, que, segundo eles, vão aumentar
a grilagem e a exploração ilegal dos recursos naturais
da Amazônia.
De acordo
com um dos coordenadores de Políticas Públicas do Fórum Brasileiro de Organizações Não-governamentais
(Fbons), Álvaro De Angelis, as mais de 300 assinaturas serão
utilizadas para aprovar moções de repúdio ao
Projeto de Lei 6.425/2005 e à Medida Provisória
422/2008, entre as resoluções finais da Conferência,
que serão votadas amanhã (10).
“O PL
6424/2005 é conhecido 'Floresta Zero', porque permite a redução
da área de reserva legal da Amazônia de 80% para 50%,
bem como anistia os madeireiros e sojeiros que atuaram de maneira
ilegal sobre a floresta”, apontou De Angelis. O projeto, de autoria
do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), já foi aprovado no Senado e
está em tramitação na Câmara dos
Deputados.
Batizada
de “Programa de Aceleração da Grilagem” pelos
ambientalistas, a medida provisória questionada foi assinada
em março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
aumenta de 500 para 1.500 hectares o limite de terras passível de
regularização fundiária sem licitação
pública.
“Não
se pode oferecer uma bolsa grilagem; e sim avançar em reforma
agrária, o que não está acontecendo no momento”,
argumentou De Angelis. O Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) argumenta que a medida vai
identificar produtores e favorecer o controle do Estado na Amazônia.
Na
avaliação do representante do Fbons, as medidas
estimulam a grilagem de terras e favorecem a devastação
da Amazônia. “Ao anistiar aqueles que cometeram ilícitos
ambientais, com conhecimento de que assim o faziam, estamos
estimulando não só que ações como essa
aconteçam novamente, bem como o avanço sobre outros
biomas, como o cerrado e a caatinga”.
As
resoluções da 3° Conferência Nacional do Meio
Ambiente serão votadas amanhã (10), durante a plenária
final. O encontro reúne cerca de 2.000 pessoas, entre
representantes de governos, empresários e sociedade civil.
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