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Brasília - O diretor do Banco Mundial para o Brasil,
John Briscoe, disse hoje (9) que embora o país viva um momento positivo de sua história
econômica, ainda existem problemas estruturais que precisam ser enfrentados
para que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) seja sustentado.
Entre as reformas necessárias,
ele destacou a tributária e previdenciária. Briscoe criticou o peso dos impostos na
economia e a complexidade do sistema de cobrança de impostos em comparação com
outros países. "São quase 40% do PIB em comparação aos 20% dos concorrentes do
Brasil, com uma complexidade, que eu só domino, talvez, 5% do sistema, que é
muito difícil de compreender", afirmou.
O diretor do Banco Mundial também
criticou as distorções do sistema tributário pois, segundo ele, alguns setores,
como a exploração de petróleo pagam 30% de impostos e outros não pagam nada.
John Briscoe pediu maturidade
política na condução da reforma tributária pois acredita que o problema é mais
nesse sentido do que técnico. Ele enfatizou que as propostas sobre a reforma de
certa forma convergem, mas a dificuldade está em não se
saber ainda como as mudanças devem ser implementadas.
"O problema é como ir. Os passos,
quem vai perder, quem vai ganhar e como fazer um caminho daqui para lá, esse é o
problema principal. Esse é um problema que precisa de maturidade política, porque é um processo altamente político muito menos técnico",
afirmou.
O presidente do Senado,
Garibaldi Alves Filho, disse que a reforma tributária "está no forno" e disse
acreditar que Casa poderá aprovar as mudança ainda este ano, se a Câmara fizer o
mesmo com a proposta até o final do semestre. "Seria muito bom para o
Brasil, um país que se ressente de uma ordenação e racionalização de uma perspectiva
de cobrança de seus tributos", afirmou.
Garibaldi disse, dirigindo-se ao diretor do Banco Mundial, que o Senado não está esperando
passivamente a aprovação na Câmara pois uma comissão especial formada por
senadores já tem um relatório pronto sobre a reforma tributária. O documento
agilizaria a análise do projeto em tramitação na Câmara dos Deputados. "Quando
chegar o trabalho da Câmara se terá pronto e acabado o trabalho do Senado para
que possa daí resultar em um consenso em benefício do povo brasileiro", disse.
Garibaldi Alves Filho e John
Briscoe participaram da abertura do seminário Reforma Tributária e
Transferências Fiscais entre a União, Estados e Municípios, na sede do
Interlegis, órgão do Poder Legislativo.
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