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Rio de Janeiro - Pescadores da
Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, vão denunciar internacionalmente a empresa
alemã Thyssen-Krupp por danos ao meio ambiente e violação aos direitos humanos. Controladora
da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), a empresa está sendo acusada de
inviabilizar a pesca na região, prejudicando mais de oito mil famílas. Por causa
das obras do complexo siderúrgico, orçado em R$ 8 bilhões e que deve ser
inaugurado no próximo ano, os peixes teriam praticamente desaparecido da área e
os que restaram estariam contaminados.
A denúncia foi
feita durante uma reunião de organizações não governamentais, realizada ontem
(8), no Rio de Janeiro, como preparação ao Tribunal Permanente dos Povos (TPP),
que acontece na próxima semana em Lima, no Peru, com a participação de
entidades de direitos humanos de vários países.
Ivo Siqueira
Soares, que preside a Associação de Aqüicultores e Pescadores de Pedra de
Guaratiba, reclamou das obras da siderúrgica. “A empresa está se instalando em
uma área que é um criadouro natural, dentro de uma reserva. Devastou quatro mil
metros quadrados de manguezal e está causando degradação no mar, revolvendo
todo o lodo contaminado pela Ingá Mercantil [empresa mineradora já desativada,
que deixou uma grande área poluída com metais pesados]”.
Segundo o
pescador, a dragagem que está sendo feita, para permitir a entrada de grandes
embarcações, está provocando a liberação de sedimentos contaminados, que se
encontravam no fundo do oceano e passam a ser levados pela correnteza,
justamente para uma área de reserva biológica e arqueológica. “Isso afugenta e
contamina os peixes com cádmio e zinco”, disse Soares
O presidente da associação também
reclamou da exclusão que está havendo por conta da construção de um píer de quatro quilômetros,
para servir de atracadouro para os navios da futura
siderúrgica. “Essa área é onde nós tínhamos o nosso melhor ponto de pesca e não
mais poderá ser utilizado. Fora a questão de segurança, pois ali vão transitar
navios e os riscos aos barcos pesqueiros são enormes. Recentemente, perdemos um
companheiro, atingido por uma balsa da CSA”. Para o advogado
da Federação das Associações de Pescadores Artesanais do Rio de Janeiro
(Fapesca), Victor Mucare, a CSA está causando degradação ambiental e social na
região, além de descumprir leis federais e não possuir licenças ambientais.
“Nós já estamos tomando medidas legais, com ações reparatórias, ação civil
pública para embargar a obra, e já existe um inquérito criminal, que corre no Ministério
Público Federal”.
Também
participou do encontro a alemã Kathrin Buhl, diretora do Instituto Rosa
Luxemburg Stiftung. Ela disse que, a partir das denúncias apresentadas pelos
pescadores, o assunto será levado ao conhecimento da imprensa e dos partidos
políticos da Alemanha, país sede da siderúrgica. “É importante divulgar as
informações e acessar as mídias, para receber um respaldo público. Se uma
empresa como a Thyssen-Krupp está violando os direitos humanos aqui no Brasil,
está destruindo o meio ambiente, é importante que os sindicatos, os movimentos
sociais, os partidos lá na Alemanha saibam disso e façam pressão”, disse Kathrin Buhl.
A Thyssen Krupp
foi procurada, mas sua assessoria de comunicação informou que não iria comentar as acusações.
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