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Belo Horizonte - O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, discordou
das críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros de Estado às
decisões do Poder Judiciário nos casos de Raposa Serra do Sol e do assassinato
da missionária Dorothy Stang.
Ontem (8), Lula disse que, como presidente, não comentaria
a decisão judicial, mas que, "como cidadão comum", estava
"indignado" com o novo julgamento do caso da missionária. “Eu acho que depõe um pouco
contra a imagem do Brasil no exterior".
O presidente do STF discorda.
"O resultado da condenação é que atenderia à boa imagem do Brasil? E se, de
fato, essa pessoa for inocente? Eu não disponho de dados. Talvez o presidente
disponha".
As declarações foram dadas antes de Gilmar Mendes participar de mesa de debate do 3º Congresso
Internacional de Jornalismo Investigativo, que segue até amanhã (10), em Belo
Horizonte.
O Palácio do Planalto informou que não se manifestará sobre a declaração do ministro do STF, pois o presidente da República já manifestou sua opinião ontem.
O presidente do STF também citou o caso do
brasileiro Jean Charles Menezes, morto em uma estação de metrô de Londres.
"Engraçado, nós
acompanhamos o episódio do Jean Charles, em Londres. O senhores viram os
resultados das deciões judiciais, das investigações, alguém acha que a imagem
da Inglaterra ficou manchada no mundo por conta disso?", questionou Gilmar Mendes.
Os quatro oficiais
superiores acusados de envolvimento na morte do brasileiro foram absolvidos
pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia, do Reino Unido.
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota, em dezembro do ano passado,
de "descontentamento" com a decisão.
Em relação à Raposa Serra do
Sol, o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi,
classificou de “gravíssima” a decisão do STF de suspender a retirada de
não-índios da área.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que o Poder
Judiciário seria "co-responsável" pelo que acontecesse em Raposa.
Gilmar Mendes diz não acreditar que os
conflitos recentes na terra indígena decorram da decisão do Supremo.
"Na
verdade já havia conflitos e é uma área que está conflagrada há muito tempo. A
melhor forma de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo nas mãos, cada um tem sua
própria perspectiva".
O presidente do STF afirmou que os ministros
faziam considerações a partir de seus "interesses".
"O tribunal
fez a avaliação, levou em conta o que o relator recebeu de informação e achou
por bem que fosse sustado o julgamento".
*Os repórteres viajam como participantes do congresso
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