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9 de Maio de 2008 - 21h56 - Última modificação em 9 de Maio de 2008 - 21h56


Mulher de Paulinho afirma que vai abrir sigilo bancário de ONG investigada

Bruno Bocchini e Elaine Patricia Cruz
Repórteres da Agência Brasil

 
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São Paulo - A presidente da organização não-governamental (ONG) Meu Guri, Elza de Fátima Costa Pereira, mulher do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), afirmou hoje (9) que vai abrir o sigilo bancário e fiscal da instituição. A ONG recebeu R$ 37,5 mil de João Pedro de Moura, ex-assessor de Pereira, preso em 24 de abril pela Polícia Federal (PF) na Operação Santa Tereza.

A operação investiga uma organização criminosa que teria praticado crimes de prostituição, tráfico internacional de pessoas, lavagem de dinheiro e fraudes em financiamentos pedidos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Há a suspeita de que o dinheiro, encontrado pela PF na residência de Moura, tenha sido desviado do BNDES. Em coletiva realizada hoje na sede a ONG em Mairiporã, na Grande São Paulo, Paulinho afirmou que os R$ 37,5 mil foram recebidos para que a entidade pagasse dívidas de condomínio e de IPTU de um apartamento que havia sido doado em 2004 à ONG por Moura.

“O que vamos fazer com um apartamento no centro da cidade, se temos aqui espaço sobrando? Chamamos ele [Moura]. Ele falou: eu deposito [o dinheiro para pagar as dívidas] e pego o aparamento de volta. Foi isso que aconteceu”, disse Paulinho.

No entanto, o advogado de  Paulinho, Antonio Rosella, apresentou logo em seguida uma versão diferente. De acordo com ele, o dinheiro foi repassado a ONG como doação, e não para o pagamento das dívidas geradas pelo apartamento. Segundo Rosella, o que ocorreu foi a troca da doação do apartamento pela doação do dinheiro. As dívidas do imóvel foram transferidas, de acordo com o advogado, ao antigo dono.

“A doação em imóvel se transformou em doação em dinheiro. Ponto, é isso. E foi contabilizado na conta do Meu Guri”, disse.

Na última segunda-feira (5), a procuradora da República Adriana Scordamaglia disse que há indícios da participação do deputado Paulo Pereira da Silva no esquema. “A suspeita é que ele faz parte também do desvio de verbas do BNDES”, disse ela, ressaltando que o nome Paulinho é citado mais de uma vez durante o monitoramento telefônico feito pela PF. Ainda de acordo com a procuradora, o nome teria sido citado em um contexto que permitiria afirmar que se tratava do Paulinho da Força Sindical.



 


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