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11 de Maio de 2008 - 13h22 -
Última modificação
em 11 de Maio de 2008 - 14h26
Mães buscam alternativas para falta de creches
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
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Valter Campanato/ABr
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Ceilândia (DF) - Iara Lucia de Oliveira Silva, mãe crecheira, passa os dias cuidando de 14 crianças de 6 meses a 7 anos em sua casa
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Brasília - Há 14 anos,
quando teve a primeira filha, Iara Lúcia Silva transformou
em profissão o problema da falta de vagas em creches públicas. Como não conseguia ninguém para cuidar da filha, saiu do emprego.
Aos poucos, as vizinhas começaram a
deixar os filhos na casa de Iara enquanto iam trabalhar. Hoje,
quase oito anos depois, ela virou mãe-crecheira e passa os
dias cuidando de 14 crianças, de 6 meses a 7 anos em sua casa,
na cidade-satélite de Ceilândia.
“Eu cheguei a colocar
a Carolina em uma creche paga, mas gastava quase o que ganhava no
trabalho. Meu emprego virou o de mãe-crecheira – eu trabalho em
casa, cuido das minhas filhas e ajudo as outras mães também
”, diz Iara, que cobra R$ 180 por mês por criança. “Creche
pública é quase impossível. Aqui na Ceilândia
são muito lotadas”.
Iara e as mães
que ela atende fazem parte da população excluída
do acesso gratuito à educação infantil. Segundo
relatório apresentado neste mês pela Organização
das Nações Unidas para Educação,
Ciência e Cultura (Unesco), das crianças com até três
anos do segmento 20% mais pobre, apenas 8,6% estavam em creches. Entre
os 20% mais ricos, a taxa era de 27,6%.
Os três filhos de
Girleide Alves de Melo, de 37 anos, passam o dia com Iara. Operadora de
caixa, Girleide acorda às 5h30 para arrumar as crianças
antes de ir trabalhar. Ela mora na rua de Iara e diz que nem cogita
a possibilidade de se mudar de lá, porque depende dos serviços
da mãe-crecheira para poder sustentar a família. Ela
chegou a conseguir vaga em creches públicas, mas apenas para
um dos filhos.
“Cuido dos três
sozinha: sou pai, mãe e tia, não tenho família
aqui [em Brasília]. Conto com a ajuda da Iara, porque, além
de ser mãe-crecheira, ela é amiga, me dá uma
força. É muito difícil criar três filhos
sozinha e com um salário baixo.” Iara, a mãe-crecheira, defende a união das mulheres para vencer as dificuldades diárias.
“Eu gosto muito do que eu faço, não é pela
necessidade do dinheiro, é mais porque elas são o
espelho da minha história”, conta.
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