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Brasília - Os desembolsos
anualizados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), isto é, registrados em 12 meses,
ultrapassarão, no mês que vem, o orçamento de
investimentos do banco previsto para este ano, que é de R$ 80
bilhões. A projeção foi feita pelo diretor da Área Financeira do BNDES, Maurício
Borges Lemos.
Nos 12 meses encerrados em abril, as liberações
do BNDES somaram R$ 76 bilhões. Segundo o economista, a expectativa para maio é de que os desembolsos superem R$ 79 bilhões. “Quando chegar 30 de
junho, já teremos ultrapassado os R$ 80 bilhões.” Lemos não quis estimar qual será o total
desembolsado ao final do exercício, mas garantiu que não
faltarão recursos do BNDES para suprir a demanda.
Do orçamento
previsto para 2008, a maior parte (cerca de R$ 50 bilhões) já
estaria assegurada. O déficit, avaliado inicialmente em R$ 30
bilhões, foi reduzido à metade devido a negociações
com o Tesouro Nacional.
Lemos disse que mais R$ 5 bilhões já estariam garantidos,
mas não detalhou qual seria a fonte desses recursos. Entre as
alternativas viáveis para compor o funding, recursos de
capital para financiamento de empresas, estão a ampliação
do repasse de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), novas
dotações do Tesouro, além de captações
no mercado externo e também junto ao mercado doméstico
de capitais.
Lemos garantiu, no
entanto, que, mesmo com recursos no limite, o orçamento dará
conta da demanda. “Vamos fazer um esforço para atender à
demanda. Não vai faltar recurso”, enfatizou. Para isso,
admitiu, o banco terá que dar prioridade a setores mais necessitados.
“Você pode arbitrar contrapartidas.”
Para atender à
demanda, o BNDES poderá reduzir o nível de
participação nas operações, sobrando,
assim, mais dinheiro, explicou o diretor. Outra opção
seria aumentar a participação da cesta de moedas. Ou
seja, usar uma parte de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje de
6,25% ao ano, que é praticada pelo BNDES em suas transações,
e outra de juros de mercado. Esse mecanismo já faz parte da
política do banco e pode ser reforçado.
Segundo Lemos, o
aumento dos juros interfere no custo do financiamento do banco porque
uma parte é custo de mercado. “Se a Selic [taxa de juros
básica] sobe, e o
juro de longo prazo aumenta, o custo de financiamento do BNDES sobe”,
observou.
O economista acredita que, com o
aumento dos juros, a tendência é as empresas reduzirem
a procura por dinheiro no BNDES no longo prazo. “A liquidez
da economia está apertada. Está faltando dinheiro. Tem
muita demanda e dinheiro de menos”, afirmou Lemos, explicando que esse movimento
refletiria mais a política de controle monetário do
Banco Central.
Lemos reconheceu
que, “embora tenha avançado bastante para conseguir funding”,
o BNDES estaria ”correndo atrás da demanda”. Isso quer
dizer que a demanda supera o volume de recursos do banco. Ele
confessou que não esperava que o primeiro semestre registrasse
uma procura tão alta por recursos do BNDES, porque,
tradicionalmente, o segundo semestre é mais forte. Isso
reflete o fortalecimento da economia brasileira, concluiu.
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