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Rio de Janeiro - A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza
Cruvinel, afirmou hoje (9) que é necessário incluir mais conteúdos científicos
na grade de programação da TV Brasil. Ela participou do debate “Educação
Universal - Desafios a Enfrentar”, durante a Reunião Regional da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Nova Iguaçu, na Baixada
Fluminense (RJ).
“É uma tarefa nossa termos programas de difusão científica,
mas que não sejam em linguagem cifrada. É preciso traduzir a relação da ciência
com a vida do cidadão. Isso é um desafio, a nossa grade hoje não tem programa
próprio sobre o assunto e a televisão tem que fazer isso para conectar as
pessoas com a ciência de uma forma mais prática”, disse Tereza Cruvinel.
A programação científica televisiva vai
desde ensinar a população a se alimentar melhor até levar ao conhecimento de
todos os últimos avanços da ciência e da tecnologia, destacou a presidente da EBC. “Nós já temos bons
programas sobre saúde, mas que ainda podem ser aperfeiçoados.”
A presidente da EBC também considerou importante a
penetração cada vez maior da comunicação pública nas periferias e regiões
metropolitanas. Ela reconheceu que isso depende de uma logística própria e
requer mais recursos financeiros.
“Temos que buscar esse papel, mas existem
dificuldades por ainda não dispormos de um orçamento que permita, por exemplo,
implantarmos unidades nesses lugares. Ainda assim, é necessário que se façam
esforços para contornarmos essas dificuldades e estarmos presentes nessas
comunidades. O Brasil distante tem que vir para a televisão pública.”
O encerramento da Reunião Regional da SBPC, que também
ocorreu em Duque de Caxias, contou com a participação do prefeito de Nova
Iguaçu, Lindberg Farias. Ele destacou a grande participação durante os dias do
evento, realizado no Sesc da cidade.
“Só hoje passaram por aqui 15 mil
pessoas, principalmente estudantes. Precisamos nos esforçar para que esses jovens da Baixada Fluminense cheguem à universidade e se formem
doutores ou profissionais liberais. Nós não aceitamos mais essa divisão do
trabalho, em que nossa juventude é excluída da vida
universitária.”
O ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira
Unger, fez a palestra de encerramento do evento, falando sobre as alternativas
nacionais. “O mundo todo tem uma ditadura de falta de alternativas e,
ansiosamente, busca um novo caminho, que cumpra as promessas revolucionárias da
democracia e que levante e capacite as pessoas comuns.”
Segundo ele, o foco do conflito ideológico que dominou os
últimos dois séculos está mudando. “O velho conflito, entre o Estado e o
mercado, o estatismo e o privatismo, está morrendo. E começa a ser substituído
por um novo conflito, a respeito das formas institucionais alternativas, da
economia de mercado, da democracia política e da sociedade civil livre.”
Mangabeira afirmou que a construção do Brasil deve ser feita
em rumo próprio, diferente das formas encontradas pelos países do hemisfério
norte. “O Brasil sempre cresceu por meio de setores favorecidos e
internacionalizados de sua economia, que geravam riqueza e uma parte muito
pequena dela era usada para financiar programas sociais. Agora a ampliação de
oportunidades econômicas e educativas é o próprio motor do crescimento.”
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