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Belo Horizonte - O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou
hoje (9) que a liberdade de imprensa deve conviver com a determinação da Constituição
de que a honra e a privacidade são invioláveis.
"É claro que a regra é a
liberdade. Mas se não se deve violar o que é inviolável, cabe ao juiz também
agir em certos casos", afirmou, ao defender que o Judiciário proiba, até
mesmo previamente, reportagens ou informações específicas.
"Os senhores se lembram
dos fatos da chamada Escola Base. E daí, como que se repara o dano perpetrado
contra essas pessoas? Se eles tivessem obtido uma liminar para impedir a
divulgação dos dados, teria havido injustiça?", afirmou, referindo-se ao
caso em que donos de uma escola em São Paulo foram acusados de abusar
sexualmente de estudantes com menos de sete anos. Na ocasião, o caso repercutiu em todo o país e, por fim, ficou constatada a inocência deles.
"A Constituição protege
a intimidade, a honra e a dignidade das pessoas. E muitas vezes não se pode
permitir a divulgação de fato eventualmente mentiroso por ele causar danos
irreparáveis às pessoas", disse, ao participar de mesa de debate do 3º Congresso
Internacional de Jornalismo Investigativo, que segue até amanhã (10), na
capital mineira.
Mendes também defendeu que
as empresas de comunicação deveriam criar um órgão de auto-regulação para
evitar abusos e fazer com que as pessoas que se sintam atingidas pela mídia não
tenham de recorrer à Justiça. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo
Investigativo (Abraji), há 3 mil processos contra jornalistas em andamento no
país atualmente. "Por que esse excesso de demandas? Talvez a falta de
mecanismos institucionais que permitam a correção dos órgãos de imprensa",
avaliou o ministro. "Os próprios órgãos de mídia poderiam criar seus
mecanismos para definir seus limites éticos".
O ministro também defendeu a
criação de uma lei de acesso às informações públicas. "É fundamental
estabelecer prazos sobre dados reservados", afirmou, após referir-se aos
gastos sigilosos da Presidência. O presidente do Supremo pediu ainda a criação
de regras para evitar abusos de autoridades responsáveis por investigações.
"É tão elementar que você não pode falar antes da conclusão do processo.
Esse show sobre parte de perícia, isso pode ser feito pelo particular, mas não
pelo poder público", disse, após ser perguntado sobre a divulgação de
dados, pela imprensa, das investigações sobre a morte da criança Isabella
Nardoni.
Ontem, na abertura do 3º
Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, foi realizado um ato em
solidariedade aos jornais Folha de S. Paulo, Extra e A Tarde e aos jornalistas
Elvira Lobato, Bruno Thys e Valmar Hupesel Filho, processados por danos morais
pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Os repórteres viajam como participantes do congresso
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