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11 de Maio de 2008 - 12h43 -
Última modificação
em 11 de Maio de 2008 - 14h30
Papel educativo das creches ainda é subestimado, afirmam especialistas
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
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Antônio Cruz/ABr
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Taguatinga (DF) - Centro Comunitário da Criança
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Brasília - Em muitos estados e municípios, as creches
públicas ainda são vinculadas às Secretarias de
Assistência Social, e não à Secretaria de
Educação.
Segundo a presidente da União Nacional
dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Justina
Silva, o quadro reflete uma mentalidade antiga, que precisa ser
revista pela sociedade brasileira.
Para muitas mães, o que importa é a
garantia da vaga, enquanto o desenvolvimento e o aprendizado da
criança ficam em segundo plano.
“É uma cultura que
vai aos poucos sendo superada”, afirma Justina. Ela disse que as
creches eram consideradas antigamente um espaço para acolher a
criança e garantir sua alimentação da criança.
“É como se isso bastasse na cabeça das mães,
mas as creches não podem fornecer apenas o acolhimento – têm
mais do que a função de cuidar, é cuidar e
educar”.
A coordenadora-geral de Infra-Estrutura
Educacional do Programa Nacional de Reestruturação e
Aparelhagem da Rede Escolar de Educação Infantil
(ProInfância), Maria Fernanda Bittencourt, considera a mudança
cultural um desafio tão grande quanto o acesso e o
financiamento para a expansão da rede.
“Essa é uma cultura de assistência
social, e a gente quer mudar essa visão. A mudança de
concepção da educação infantil também
levará a um melhor atendimento na infra-estrutura”, disse a
coordenadora do ProInfância.
Para garantir a qualidade do ensino infantil, a
presidente da Undime defende também o aumento do que é
investido por aluno da educação infantil. “O Brasil
inteiro precisa discutir essa questão e entender que essa fase
é fundamental, importantíssima”, explicou Justina.
O Centro Comunitário da Criança,
na cidade-satélite de Ceilândia, no Distrito Federal,
por exemplo, já procura dar aos 120 alunos mais do que comida
e atenção das professoras. A creche comunitária
dispõe de sala de leitura, horta, parquinho e salas de vídeo
e de informática. A entidade é mantida por meio de
convênios com o governo do Distrito Federal e outros parceiros.
Os pais que trabalham têm preferência
para conseguir as vagas, e os alunos são encaminhados pelo
Centro de Referência das Assistência Social do Distrito
Federal. Segundo a coordenadora pedagógica da creche, Luana de
Oliveira, o maior problema ainda é atender à demanda.
“A briga é o ano inteiro por vaga. São
muitas crianças que necessitam, mas infelizmente não
podemos atender a todos como queríamos – tem pais que chegam
chorando, e a gente fica sem saber o que fazer”.
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