A
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, classificou hoje (9) de
“grave e preocupante” a situação de tensão e
conflitos na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Ela disse que a questão está nas “está nas
mãos da Justiça”, referindo-se ao
julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade da
permanência de não-índios no local, que deve
ocorrer em três semanas.
“Temos
a expectativa de que, em se tratando da mais alta corte do
país, esse processo vai ser feito com todo o cuidado e a
responsabilidade. Está nas mãos da Justiça e,
como todos os cidadãos, estamos aguardando que a justiça
seja feita. O conflito é grave e preocupante” destacou.
A ministra fez as declarações em entrevista a emissoras de rádio no estúdio
da Empresa Brasil de Comunicação (EBC),
em Brasília.Ela elogiou a iniciativa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de
criar a terra indígena em área contínua e
classificou como “ousada” a atitude do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva de homologar a reserva conforme determinação prevista na sua criação.
Na entrevista, a
ministra criticou o atentado contra indígenas na Raposa
Serra do Sol, ocorrido no início da semana. Na ocasião,
dez
índios foram baleados por funcionários do líder
dos arrozeiros e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César
Quartiero, quando construíam moradias nos limites da Fazenda
Depósito, de propriedade do produtor.
“O
que não pode acontecer é a justiça com as
próprias mãos, como fizeram pessoas que atiraram em
índios. É uma coisa lamentável", avaliou Marina Silva. "Estão defendendo os seus direitos mas, para
defendê-los, temos que usar a lei e não a força”, completou.
Após o atentado, agentes da Polícia Federal (PF) prenderam Quartiero em flagrante, por porte ilegal de armas e artefatos explosivos.