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Brasília - O fundo soberano do
Tesouro Nacional, anunciado pelo governo nesta semana, terá o
papel de induzir a ampliação dos investimentos das
empresas nacionais no exterior, e não o de incentivar as
exportações com financiamento. A afirmação
é do diretor da Área Financeira do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maurício
Borges Lemos.
Em entrevista à
Agência Brasil, Lemos informou que o banco,
tradicionalmente, apóia a internacionalização de
empresas brasileiras com recursos próprios e realiza operações
de financiamento às exportações, mas também
tem programas de apoio com recursos externos, como o Fundo de Amparo
ao Trabalhador (FAT).
Segundo ele, as operações atuais do
BNDES de apoio às exportações tem envolvido
recursos da ordem de US$ 2 bilhões. A diferença é
que o fundo soberano terá captação e empréstimo
em moeda estrangeira, a um custo mais baixo do que o atual e pode
atingir o montante de US$ 20 bilhões.
O fundo funcionaria
inteiramente no exterior, de preferência em um paraíso
fiscal, para diminuir custos. “O melhor lugar é um paraíso
fiscal [zona sem impostos ou com impostos baixos, no jargão
econômico, também conhecida como Tax Heaven], onde o
custo tributário seja mínimo. Ele [o escritório]
captaria recursos e, nessa captação, poderia estar a
aplicação de recursos do Tesouro em dólar”,
disse Lemos, referindo-se ao país onde a operação
financeira será constituída.
Borges Lemos disse que
o banco vai abrir um escritório em agosto, provavelmente em
Montevidéu, no Uruguai, com possibilidades de se transformar
posteriormente em filial, ou subsidiária. "Vai ser mais
um posto avançado para as nossas operações
pós-embarque que serão decididas no Brasil",
disse.
Ele explicou que a escolha do Uruguai deve-se ao
baixo custo tributário e à proximidade do país
com o Brasil, que ajuda na viabilização dos projetos de
integração na América do Sul. O escritório
poderá ainda ajudar nas operações de apoio às
empresas brasileiras em outros mercados internacionais.
O fundo soberano vai
lastrear as operações de empréstimos em dólar
do BNDES no exterior, para financiar empresários brasileiros
que tenham projetos de expansão de suas atividades no mercado
externo. O custo dos empréstimos será mais baixo do que
o atual e os prazos, mais longos. Na avaliação de
Lemos, a operação será positiva para o Tesouro
Nacional, na medida em que vai melhorar a rentabilidade das reservas
internacionais com garantias ainda melhores do que as atuais.
"Uma empresa
nacional que se torna competitiva no exterior pode trazer tecnologia
e, inclusive, produzir essa tecnologia no país. Ao fazer isso,
ela tem chances de contratar criação de tecnologia
nacional em segmentos como gestão e inovação",
afirmou o diretor do BNDES.
Lemos considera mais provável setores
tradicionais da economia brasileira serem o ponto de partida do
processo. Prospecção preliminar realizada pelo BNDES
indica a existência de muitas empresas brasileiras no cenário
estrangeiro, sobretudo nos setores alimentício, de mineração,
de petróleo e de energia, além de empreiteiras da
construção civil pesada, empresas de máquinas e
equipamentos, e ainda nichos diferenciados, como os de moda e
confecções.
O diretor do BNDES
disse que o custo do funding (recursos de capital para
financiamento de empresas) será equivalente ao custo atual do
Tesouro norte-americano, que é de cerca de 3% ao ano. Ele
lembrou que os juros básicos nos Estados Unidos somam 2% ao
ano. “O custo para as empresas brasileiras poderá também
ser reduzido.”
As operações que vierem a ser
efetuadas por intermédio do fundo soberano poderão
tornar o BNDES acionista de grandes empresas, o que representará
uma expansão de valor da carteira de sua subsidiária, a
BNDES Participações (BNDESPar). “Seria mais uma etapa
no papel do banco enquanto sócio de empresas que começam,
às vezes, de baixo e se tornam grandes depois”, afirmou
Lemos.
*A matéria foi alterada para correção de informações e mudança do título.
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