



|
Manaquri (AM) - Com expectativa de lucro mensal de R$ 750, aproximadamente
40 famílias de produtores rurais de Manaquiri (AM), iniciaram nessa
sexta-feira (9) as atividades da Agroindústria de Óleos do município.
A
usina foi inaugurada apenas dois dias depois que o Conselho de
Desenvolvimento do Amazonas (Codam) aprovou o início dos trabalhos
da primeira indústria de biocosméticos no Pólo Industrial de Manaus
(PIM).
Com a inauguração, os óleos de frutos e sementes de andiroba,
castanha, tucumã, açaí, buriti e babaçu serão usados como
matéria-prima por outras indústrias que atuam no setor de cosméticos,
sobretudo na Zona Franca de Manaus (ZFM).
Em todo
o Amazonas, existem mais de 120 espécies de plantas e frutas oleaginosas
catalogadas. O valor do quilo dos produtos deve variar entre R$ 20 e R$ 25.
Para
participar da divisão dos lucros, a família deve ser obrigatoriamente
integrante da Cooperativa de Fitocosméticos de Manaquiri (Coopfitos) e
atuar em uma das atividades previstas no processo de fabricação dos
óleos, incluindo o trabalho de reflorestamento da área (atividade
inclusa no projeto e que prevê o plantio de novas mudas das plantas
utilizadas na usina), até a colheita dos frutos e sementes.
O início das atividades da agroindústria de Manaquiri ocorre no
momento em que a ZFM se prepara para uma expansão do setor de higiene
pessoal e perfumaria, já que, em dezembro passado, foi aprovado o
Projeto Produtivo Básico (PPB) dos Cosméticos, que viabilizará a
entrada de empresas do ramo no PIM, com os incentivos fiscais
existentes na região.
Além de servir como matéria-prima para fabricação
de cosméticos, os óleos de Manaquiri que não estiverem dentro da
classificação "primeira qualidade" serão aproveitados pela Fundação de
Vigilância Sanitária (FVS) para a fabricação de repelentes a serem
usados no Amazonas para o combate à malária. A usina deve produzir 50 litros por hora e a distribuição será feita por via
rodoviária, com apoio dos governos municipal e federal.
A novidade vinha sendo esperada há pelo menos três anos pelos
moradores do local, segundo Antônio Santa Rita, líder de uma das
comunidades integrantes da Coopfitos. Ele diz que é grande a
expectativa da comunidade sobre o andamento do novo negócio da cidade e também sobre a melhoria dos rendimentos da
população.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene
Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abithec) mostram que, só em 2007, o
setor de cosméticos movimentou mais de R$ 19 milhões no Brasil e hoje o país ocupa o terceiro lugar no ranking global de higiene pessoal e
de beleza.
"Tudo começou em 2002 quando pesquisadores do Inpa [Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia] vieram para cá para fazer seus
trabalhos e pesquisas sobre os frutos, sementes e potencialidades dos
recursos naturais na nossa área. Como nós já fazíamos a extração do
óleo de forma artesanal, mas como fonte de renda e trabalho, surgiu a
idéia de fazer a indústria. Agora estamos otimistas. Em média de
rendimento mensal das famílias deve saltar de R$100 para R$ 750",
conta.
De acordo com Santa Rita, a divulgação da pesquisa e do trabalho
dos ribeirinhos culminou na chegada dos cursos técnicos preparatórios
do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas (Sebrae)
às duas comunidades inicialmente integrantes da cooperativa e por fim
toda preparação técnica até a inauguração da usina.
O professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e
especialista em Planejamento de Sistemas Energéticos, José de Castro,
avalia que para que o projeto da usina ocorra de forma satisfatória
para seus trabalhadores e para o meio ambiente, é necessário haver a
sustentabilidade sócio-ambiental de todo processo existente.
Ele
informa que a Ufam é uma das apoiadoras da agroindústria e revela que
apesar do inventário das áreas de floresta da região feito pelos
moradores de Manaquiri, a idéia é auxiliar os comunitários no
desenvolvimento da atividade.
"A universidade está ajudando os
comunitários com apoio técnico e também fazendo a ligação dessas
comunidades com as possibilidades de investimentos que elas podem ter,
como os editais de instituições diversas divulgados pela internet.
Nosso papel é ajudá-los na sustentabilidade econômica e
sócio-florestal", afirma Castro.
Segundo a gerente de Agronegócios do Sebrae Amazonas, Vanderléia
Oliveira, a partir do início das atividades, a agroindústria de
Manaquiri se prepara para um novo passo: a certificação de seus
produtos.
"A certificação dos produtos vai agregar valor ao que já é
feito e trazer mais segurança ao comprador que a matéria-prima tem a
qualidade esperada", antecipa Vanderléia.
Ela reforça que em meio aos
treinamentos realizados com os ribeirinhos, também foi incluída a
capacitação a respeito da qualificação da produção. "Eles já receberam
toda capacitação necessária para as boas práticas de fabricação e estão
prontos para receber a certificação".
Durante a inauguração da Agroindústria de Óleos de Manaquiri, o
governador do Amazonas, Eduardo Braga, disse que ainda este ano o
município irá receber mais R$ 2 milhões para a implantação de sua
segunda indústria, dessa vez na área de Fecularia.
"A verba para a
indústria de Fécula de Batata já está disponível para o município e
será repassada via Secretaria de Produção Rural e a expectativa é que
mais cinco mil famílias sejam beneficiadas", anunciou Braga. Manaquiri
é atualmente o maior produtor de batata doce do estado.
*A repórter viajou a convite do Sebrae/AM
|
|