O governador do Amazonas, Eduardo Braga, informou que,
ainda neste semestre, 200 fuzileiros navais vão se integrar ao
efetivo das equipes de fiscalização de transportes nos rios do estado. Em visita ao município de Manaquiri, no interior do estado, Braga cobrou mais atenção
do Ministério dos Transportes para as hidrovias da Amazônia.
Segundo Braga, é preciso aumentar a fiscalização dos barcos na região para impedir que se repitam acidentes como o que ocorreu no último dia 5 em
Manacapuru. Ao participar, ontem (9), da inauguração da
agroindústria de óleos de Manaquiri, o governador lamentou mais uma vez
o acidente ocorrido com o barco Comandante Salles 2008.
"O Ministério dos Transportes precisa olhar para nossas hidrovias, e
nós precisamos balizá-las e sinalizá-las, porque, do contrário, o risco de
acidentes é maior", disse Braga, ressaltando que o trânsito nos rios da região vem aumentando.
Braga disse que a preocupação com o transporte de passageiros nos
rios amazônicos já é compartilhada com o governo federal e citou o Programa Amazônia Sustentável, lançado quinta-feira (8), que prevê a implantação de uma
grande política de balizamento e sinalização das hidrovias da região.
Para ele, embora a situação do Amazonas seja diferente da de outros estados da região, o
assunto terá prioridade: "O transporte hidroviário no Amazonas é
diferente do de outros estados. O Pará e o Acre, por exemplo, têm malhas
hidroviárias muito maiores do que a nossa. Contudo o assunto é
prioridade no Amazonas."
De acordo com a Marinha, todos os meses, cerca de 2,8 milhões de
pessoas usam algum meio de transporte aquático para viagens
intermunicipais e travessias entre comunidades. "O número
é alto, porque na Amazônia os rios são as estradas dos que desejam se
deslocar para outros lugares", disse o comandante da Capitania dos Portos
da Amazônia Ocidental, Dennis Teixeira. Segundo ele, é
preciso haver mais fiscalização, mas o contingente da
Marinha não é suficiente para atender toda a demanda.
"Seria
preciso mais gente para garantir maior cobertura dos rios da região
amazônica. A Marinha tem uma área enorme para atender, e não há
Capitania [dos Portos] em todos os municípios. Infelizmente, a Marinha é pequena
para o tamanho do nosso país", afirmou o comandante. Para ele, o problema da insuficiência nas fiscalizações é
acentuado na Amazônia em virtude de uma cultura local de desrespeito às
exigências da Marinha.
"Num processo normal, quem quer explorar a atividade de transporte
fluvial precisa apresentar para a Capitania dos Portos um projeto que
será analisado mediante o que se quer. A partir daí, o proprietário já
é orientado sobre os devidos equipamentos de segurança, tripulação
etc. O problema é que na Amazônia, muitas vezes, o indivíduo constrói o
barco, coloca-o no rio e, geralmente, só depois de ser descoberto pela
Marinha numa situação irregular ou até de acidente, é que procura fazer
a regularização."
O comandante destacou, entretanto, a existência do Programa
de Segurança da Navegação da Amazônia Ocidental, que desde 2003 orienta os armadores e a população sobre todas as circunstâncias de tráfego no meio hidroviário, o que pode contribuir para
reverter o elevado número de acidentes. "Durante todo o ano, nossos homens
realizam cursos de pequena e média duração sobre segurança nas
embarcações e até mesmo como preparação para quem deseja ser condutor
ou tripulante dos barcos."