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11 de Maio de 2008 - 16h27 - Última modificação em 11 de Maio de 2008 - 16h27


Índia casada com fazendeiro não admite abrir propriedade para uso comum

Marco Antônio Soalheiro
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Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) - Indignação é o que a índia Celina Makuxi, de 51 anos, casada com o fazendeiro Raimundo Cardoso, sente diante da proposta prevista no decreto de demarcação da terra indígena onde vive com o marido. Pela proposta, Celina e o marido só poderiam permanecer na área se abrissem a propriedade para uso comum dos moradores da reserva.

“Queria saber se o Lula [presidente da República] vai abrir a casa dele para alguém estranho entrar lá. Eu comprei, paguei e não roubei minha terra de ninguém. O Lula não colocou um prego na minha casa”, reclama, nervosa, Celina, em voz alta e com os olhos marejados.

A propriedade do casal tem 1.500 hectares. Raimundo Cardoso, de 56 anos, conhecido como Curica, diz que tem certificado de posse de 1988, emitido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, depois de pagamento de um valor estimado hoje em R$ 70 mil. “Não tem provas de que eu seja invasor”, disse o fazendeiro.

Curica também acusa índios de já terem roubado parte de seu gado. Ele afirma que a Fundação Nacional do Índio (Funai) ofereceu indenização de R$ 27 mil para que deixasse a terra, mas, por seus cálculos, teria de receber “no mínimo R$ 700 mil”.
Em frente à fazenda do casal, estão parados caminhões do produtor de arroz Ivo Barili, que aguardam a liberação da estrada RR-319, conhecida como Transarrozeira, bloqueada por índios que querem a saída dos produtores brancos da Raposa Serra do Sol. Curica critica a postura dos índios, que impedem a passagem de fertilizantes e sementes usados nas lavouras de arroz: “É uma agressividade, que nos tira o direito de cidadania, de ir e vir.”

O Supremo Tribunal Federal deve decidir nas próximas três semanas se os que não são índios poderão permanecer na Terra Indígena, ao julgar ações que contestam a demarcação em área contínua da Raposa Serra do Sol.

 


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