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13 de Maio de 2008 - 06h16 - Última modificação em 13 de Maio de 2008 - 06h16


Para senador, demarcação da Raposa envolve minerais e projeto de nação independente

Marco Antônio Soalheiro
Enviado especial

 
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Boa Vista - O senador Augusto Botelho (PT-RR), descendente indígena de 60 anos, é o autor de uma das ações que contestam no Supremo Tribunal Federal (STF) a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol em área contínua, com julgamento previsto para as próximas semanas. Ele se diz convicto de que está em jogo na disputa pela terra algo além de direitos antropológicos.

“Eu afirmo e provo que todas as reservas indígenas em Roraima foram feitas sempre em cima de província mineral de cassiterita, ouro ou diamante. E, para mim, existe uma intenção velada de retirar parte do Brasil da gente, de mudar a mentalidade das pessoas para se formar uma nação indígena, que criaria um Kosovo aqui dentro”, diz Botelho. “Se for andar por aí, vamos ver casas abandonadas como se fossem aldeias”, acrescenta.

Segundo o parlamentar, sua ação no STF foi ajuizada por entender que a destinação da área aos índios pelo governo federal foi feita sem consulta ampla às lideranças e à sociedade de Roraima: “Decisão feita por burocrata e antropólogo não é uma forma democrática. Existem dúvidas quanto à lisura do laudo [antropológico, em que se baseou a demarcação da reserva]”. 

Ele afirmou que conversa sobre o assunto com a bancada do partido – que não teria posição definida - e que já  externou sua opinião também em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele (Lula) não toma uma decisão dessa sozinho”..

A política indigenista do governo brasileiro é considerada historicamente falha por Botelho, que também é médico e vê riscos à própria saúde dos índios: “Definem a área e depois abandonam os indígenas. Em São Marcos [reserva vizinha à Raposa Serra do Sol], vivem de descaminho de gasolina da Venezuela. Temo que passem em algum momento, por necessidade, a plantar drogas”.

Mais de uma vez,durante a entrevista, o senador diz que é favorável a que os índios tenham suas terras, mas que isso deve ser feito preservando o direito de outros roraimenses ao trabalho.

Ele explica aquela que, na sua visão, seria a solução mais adequada para o impasse na Raposa: “Manter as vilas, deixar estradas fora, permitir que as pessoas trabalhem na área, como o então ministro da Justiça Nelson Jobim tinha proposto. E o governo também precisa dar mais assistência para melhorar a qualidade de vida dos indígenas”.

O senador rejeita as críticas de índios favoráveis à demarcação contínua de que os políticos do estado, de forma geral, têm preconceito contra as comunidades: “Fazem esse discurso sempre, mas já coloquei emenda parlamentar para beneficiar indígenas com projeto agropecuário e, por causa deles, foi uma burocracia poder ajudar”.

Sobre a atuação no estado do líder dos arrozeiros Paulo César Quartiero - preso em Brasília e cotado em Roraima como futuro candidato a senador ou governador – Botelho é econômico na avaliação: “O mérito do Paulo César é desenvolver a cultura do arroz irrigado. Ele está defendendo o lado dele”.



 


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