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Boa Vista - O senador Augusto
Botelho (PT-RR), descendente indígena de 60 anos, é o
autor de uma das ações que contestam no Supremo
Tribunal Federal (STF) a demarcação da Terra Indígena
Raposa Serra do Sol em área contínua, com julgamento
previsto para as próximas semanas. Ele se diz convicto de que
está em jogo na disputa pela terra algo além de
direitos antropológicos.
“Eu afirmo e provo que todas as
reservas indígenas em Roraima foram feitas sempre em cima de
província mineral de cassiterita, ouro ou diamante. E, para mim,
existe uma intenção velada de retirar parte do Brasil
da gente, de mudar a mentalidade das pessoas para se formar uma nação
indígena, que criaria um Kosovo aqui dentro”, diz Botelho.
“Se for andar por aí, vamos ver casas abandonadas como se
fossem aldeias”, acrescenta.
Segundo o parlamentar,
sua ação no STF foi ajuizada por entender que a
destinação da área aos índios pelo
governo federal foi feita sem consulta ampla às lideranças
e à sociedade de Roraima: “Decisão feita por
burocrata e antropólogo não é uma forma
democrática. Existem dúvidas quanto à lisura do
laudo [antropológico, em que se baseou a demarcação da
reserva]”.
Ele afirmou que conversa sobre o assunto com a
bancada do partido – que não teria posição
definida - e que já externou sua opinião também
em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ele (Lula) não
toma uma decisão dessa sozinho”..
A política
indigenista do governo brasileiro é considerada historicamente
falha por Botelho, que também é médico e vê
riscos à própria saúde dos índios:
“Definem a área e depois abandonam os indígenas. Em
São Marcos [reserva vizinha à Raposa Serra do Sol],
vivem de descaminho de gasolina da Venezuela. Temo que passem em
algum momento, por necessidade, a plantar drogas”.
Mais de uma vez,durante
a entrevista, o senador diz que é favorável a que os índios
tenham suas terras, mas que isso deve ser feito preservando o direito de
outros roraimenses ao trabalho.
Ele explica aquela que,
na sua visão, seria a solução mais adequada
para o impasse na Raposa: “Manter as vilas, deixar estradas fora,
permitir que as pessoas trabalhem na área, como o então
ministro da Justiça Nelson Jobim tinha proposto. E o governo
também precisa dar mais assistência para melhorar a
qualidade de vida dos indígenas”.
O senador rejeita as
críticas de índios favoráveis à
demarcação contínua de que os políticos
do estado, de forma geral, têm preconceito contra as comunidades:
“Fazem esse discurso sempre, mas já coloquei emenda
parlamentar para beneficiar indígenas com projeto agropecuário
e, por causa deles, foi uma burocracia poder ajudar”.
Sobre a atuação
no estado do líder dos arrozeiros Paulo César
Quartiero - preso em Brasília e cotado em Roraima como futuro
candidato a senador ou governador – Botelho é econômico
na avaliação: “O mérito do Paulo César
é desenvolver a cultura do arroz irrigado. Ele está
defendendo o lado dele”.
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