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12 de Maio de 2008 - 10h23 - Última modificação em 12 de Maio de 2008 - 11h28


Indígena sinaliza que desbloqueio de estrada pode ser apenas uma trégua

Marco Antônio Soalheiro
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Roosewelt Pinheiro/ABr
Comunidade São Francisco, Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR): Agentes da PF são recebidos pelo coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Jaci José de Souza, para negociação que resultou em desbloqueio na RR 319
Comunidade São Francisco, Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR): Agentes da PF são recebidos pelo coordenador do Conselho Indígena de Roraima, Jaci José de Souza, para negociação que resultou em desbloqueio na RR 319
Comunidade São Francisco – Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) - Encerrada a reunião com agentes da Polícia Federal (PF) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) em que índios da Comunidade São Francisco concordaram em desbloquear a estrada RR-319, mais conhecida como Transarrozeira, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR), o tuxaua Irineu Aniceto sinalizou que o acordo pode ser apenas uma trégua.

Ela estaria condicionada ao posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento de ações pendentes que contestam a demarcação da reserva em área contínua.

“A nossa esperança é que o Supremo possa favorecer o nosso direito na decisão. Temos 20 dias para aguardar e aí vamos ver qualquer atitude que podemos tomar”, disse Aniceto. “O povo está todo nervoso. Vai piorar a vida [uma eventual decisão pela permanência dos não-índios]”, completou o coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Jaci José de Souza.

A negociação entre a comunidade e os agentes federais  teve momentos de tensão, observados à distância pela Agência Brasil. Os índios disseram se sentir ameaçados dentro da terra que já consideram deles e cobraram mais segurança.

Relataram que já chegaram à reserva carros “carregados” de pistoleiros e armas que teriam sido “encomendadas” pelos arrozeiros. “Já fomos baleados e só depois a segurança chegou”, reclamou um dos líderes durante a reunião.

A PF reiterou estar atenta ao monitoramento da área e pediu colaboração dos índios em avisar qualquer fato estranho. “A gente pode mobilizar as equipes no sentido de dar a cobertura necessária, prender em flagrante quem estiver armado ou quem insistir em desobedecer à lei e à ordem”, explicou o superintendente da PF em Roraima, José Maria Fonseca, que conduziu pessoalmente a negociação.

Alheias à movimentação estranha no local, com a presença de homens armados, crianças da comunidade brincavam em um banco de terra sem imaginar que, em algumas semanas, os ministros do STF vão emitir uma decisão que pode afetar o rumo de suas vidas.


 

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