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Brasília - Grande parte das medidas da política industrial anunciadas hoje (12) tem como foco o incentivo às exportações. O governo federal quer reverter a tendência de redução do superávit comercial, registrada nos últimos meses, devido ao crescimento de importações em ritmo mais acelerado que o aumento das vendas externas. "O governo está preocupado com o aumento das importações, essa preocupação aumentou bastante do final do ano passado para cá”, admitiu o secretário de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,Welber Barral, depois do anúncio da Política de Desenvolvimento Produtivo.
“Todos no governo reconhecem a importância que o superávit comercial teve, nos últimos anos, para o equilíbrio nas contas do país. Há um conjunto de preocupações e, evidentemente, aumentar as exportações é uma das ações necessárias”, destacou Barral.
Duas das quatro metas da Política de Desenvolvimento Produtivo estão voltadas à ampliação das exportações. Uma delas prevê a ampliação da participação brasileira no comércio mundial de 1,18% para 1,25% até 2010, com crescimento anual de embarques da ordem 9,1%. Com isso, as vendas externas passariam dos atuais US$ 160,6 bilhões, registrados no ano passado, para US$ 220 bilhões este ano, consolidando o país como um dos 20 maiores exportadores mundiais. A outra meta é aumentar em 10%, até 2010, o número de pequenas e micro empresas exportadoras. Todos os chamados programas estruturantes e estratégicos da nova política industrial têm esses mesmos objetivos.
O pacote beneficia com condições especiais de financiamento e desoneração tributária 24 setores da economia. Destes, apenas seis não têm como foco a ampliação da competitividade exportadora. Entre os beneficiados, estão aqueles segmentos mais prejudicados com a valorização do real frente o dólar: calçados e couros, têxteis e confecções, além de móveis e madeira. Também foram incluídos setores como tecnologia da informação, etanol, biodiesel, petróleo e gás, papel e celulose, mineração, carnes, automotivo. Segundo Barral, muito dos programas foi definido a partir de demandas dos setores exportadores. Além de segmentos de importância estratégica para o país, como nanotecnologia, defesa e saúde, foram contemplados setores em que o Brasil quer manter sua liderança mundial, como etanol e siderurgia, e outros nos quais o país ainda precisa ganhar competitividade. É o caso de calçados, têxteis e biodiesel. O secretário assegurou, no entanto, que as medidas não visam a proteger setores menos competitivos. “A política industrial não é proteção, pressupõe a participação do setor privado em inovação, em investimento, em capacitação de pessoas e na agregação de valor”, afirmou.
“O governo vai cobrar resultados. Em cada um dos setores, há metas quantificáveis e é possível rever os benefícios para mais ou para menos”, disse. Segundo Barral, novos setores poderão vir a ser contemplados com medidas de incentivo.
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