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13 de Maio de 2008 - 10h57 - Última modificação em 13 de Maio de 2008 - 11h44


Orçamento do BNDES até 2010 não se limita a recursos previstos na nova política industrial

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - Os recursos para financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social não se restringem aos R$ 210,4 bilhões que serão alocados para os setores da indústria e serviços até 2010,  dentro das medidas de desenvolvimento do setor produtivo nacional anunciadas ontem(12) pelo governo federal.

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho esclareceu que os R$ 210,4 bilhões representam um crescimento forte  nos desembolsos do banco para formação de capital na economia e serviços. “Isso não inclui todo o enorme esforço em infra-estrutura que está dentro do BNDES”, ressaltou.

Coutinho revelou que há 190 projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no banco. Ele afiançou que  o volume total de desembolsos  do BNDES nos próximos três anos vai superar  os R$ 300 bilhões. Coutinho  não quis precisar o valor, porque o banco está no momento em negociações com o Ministério da Fazenda para equacionar o orçamento  relativo a 2009 e 2010.

“Isso significa recurso novo, que  exigirá de nós um tremendo esforço de funding (fonte de recursos), com a ajuda do ministro Guido Mantega”, enfatizou Coutinho.

Aos R$ 210,4 bilhões do BNDES previstos pela nova política industrial até 2010 se somarão  R$ 41,2 bilhões, oriundos  do programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (Pacti), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Excluindo-se  dos recursos do Pacti  R$ 6 bilhões do BNDES, Luciano Coutinho explicou que o total de recursos disponíveis para financiamento  na nova política de desenvolvimento produtivo  atingem cerca de R$ 244 bilhões. “Contando desembolsos para formação de capital,  para inovação, entre BNDES e as agências do Ministério da Ciência e Tecnologia”.

Ele frisou que o orçamento para investimento do BNDES em 2008, no montante de R$ 80 bilhões, está praticamente equacionado.  Reiterou que o banco está em “tratativas avançadas” junto ao Ministério da Fazenda com relação ao orçamento dos próximos dois anos. “Posso dizer com toda a tranqüilidade, diante do ministro Guido Mantega, que nós estamos tranqüilos que poderemos equacionar essas fontes para   2009 e 2010”.

O presidente do BNDES afirmou que o foco do dinheiro mais barato será para inovação, engenharia, capacidade produtiva nova. “Depois vêm as outras (áreas). Há uma hierarquização clara de prioridades”. Ele reconheceu que a redução do spread (taxa de remuneração) do BNDES  terá impacto sobre o lucro da instituição, que será diminuído.

Essa redução não poderá ser excessiva, conforme explicou, porque o banco  precisa remunerar o acionista principal, que é o Tesouro Nacional. “Preciso contribuir para formar o superávit primário todo ano, transferindo lucro para o Tesouro. Mas essa redução de spread terá um custo estimado  em R$ 350 milhões por ano sobre o lucro do banco. Ao longo de três anos, será R$ 1 bilhão. Não é pouco”, avaliou.

Indagado sobre a  capitalização da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Luciano Coutinho  afirmou que o objetivo é promover uma reestruturação da empresa, “visando torná-la com governança, com profissionalização, com eficiência, pensando em um processo de abertura de capital”. O BNDES está estudando o assunto a pedido do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, e realizou no último dia 7 uma primeira reunião com dirigentes da companhia.

Coutinho não  descartou a possibilidade de ser feita uma privatização pontual da Infraero. “Isso  está em discussão ainda. Mas a decisão ainda prevalecente do governo é  manter o controle público e buscar a abertura do capital. Mais ou menos o modelo francês da empresa Aeroporto de Paris (ADP)”, informou.



 


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