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Brasília - Os objetivos da política industrial lançada ontem (13) pelo presidente Lula na sede do BNDES, no Rio de Janeiro – aumentar as exportações, estimular a criação de pequenas e médias empresas e elevar a participação brasileira no comércio internacional – são absolutamente fundamentais mas, mesmo se vierem a ser cumpridos, são ainda muito limitados, porque um deles é que o Brasil participe com apenas 1,5% no comércio mundial.
Essa é a opinião do ex-ministro da Indústria e Comércio e ex-embaixador do Brasil na Argentina José Botafogo Gonçalves sobre o novo programa criado pelo governo para dar mais fôlego à presença brasileira na economia global, com uma renúncia de R$ 21 bilhões para o setor exportador. Ressaltando esperar que esses objetivos sejam cumpridos, o embaixador disse, em entrevista ao jornal Repórter Brasil, da TV Brasil, que “para um país das dimensões do Brasil é muito [essa política industrial] pouco, mas em relação ao que éramos antes, é um grande passo”.
De acordo com Botafogo Gonçalves, que também é presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a competitividade industrial do Brasil está ainda abaixo da média dos países emergentes. Por isso, o governo está procurando desonerar as exportações, limitando os impostos, “para aumentar nossa competitividade, pois o custo Brasil pesa nas exportações brasileiras”.
O embaixador explicou que “essas políticas já eram antigas. Desde 1998, eram um objetivo também do ministério, mas não tínhamos um elemento que hoje existe, que é a estabilidade financeira e a ordem macroeconômica, o que faz a grande diferença". Na opinião dele, o momento econômico internacional também é mais adequado, assim como a própria situação do Brasil, porque, apesar da crise norte-americana, o país ainda terá por muitos anos uma expansão da atividade econômica internacional. O que destaca o Brasil no cenário internacional, segundo ele, é grande produção alimentícia brasileira.
Diante desse quadro, segundo o ex-ministro da Indústria e Comércio, ainda é possível pensar que o comércio mundial vai crescer menos “locomotivado” pelos Estados Unidos, mas impulsionado por outros países.
O embaixador Botafogo Gonçalves analisou ainda a situação da Argentina, que enfrenta uma crise na produção de alimentos. Ele foi negociador do Mercosul, além de embaixador naquele país, e conhece bem a situação da agricultora e da economia portenhas. Para ele, a situação da Argentina não contamina o Brasil e os dois países estão caminhando em direções divergentes, porque a política brasileira, nos últimos e no atual governo, tem sido promover a expansão da produção agrícola e favorecer o agrobusines. “Mesmo com todos os conflitos no coampo que há no Brasil, estamos cada vez mais produzindo alimentos, enquanto a política argentina tem sido a de penalizar a produção através de controles artificiais nos preços dos insumos e dos produtos”.
A questão do aumento no valor dos alimentos, de acordo com Botafogo Gonçalves, independe de flutuações conjunturais ou de entressafra. “Os preços dos alimento vão continuar subindo por uma razão muito simples: o mundo inteiro está comendo mais e não há possibilidade, a curto prazo, de atender a essa demanda crescente, com uma oferta que crença mais rápido do que a demanda, embora possa haver algum progresso na área de competitividade e produtividade agrícola”.
Com isso, segundo o ex-ministro da Indústria e Comércio, o Brasil se apresenta como o primeiro país do mundo a dar uma resposta positiva frente à crise internacional.
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