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Rio de Janeiro - Os estudantes afrodescentes do Rio de Janeiro contam com vagas exclusivas em quatro das sete universidades públicas do estado. Entre as mais concorridas está a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que desde 2003 destina 20% das vagas aos negros.
Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais procuradas no estado pela variedade de cursos, não adotou o sistema. De acordo com a reitoria, as unidades e instâncias colegiadas discutem a questão, mas ainda não há posicionamento oficial sobre o assunto.
O aluno de ciências sociais da UFRJ, Julio Vitor Costa, 23 anos, que é negro, liderou com outros colegas no início do ano, um movimento que propunha à reitoria atividades para promover a cultura negra e discutir diferenças étnico-raciais.
Com essas atividades, os estudantes queriam criar um espaço para discutir a adoção de cotas para alunos negros. "Em cada sala de sessenta alunos temos dois negros, em média", relatou. No entanto, a proposta não teve boa receptividade.
"A universidade não quer nem abrir o debate, quanto mais implementar". Julio Vitor disse que o grupo de estudantes negros chegou a se reunir com a reitoria, mas as propostas do coletivo não foram adiante.
A UFRJ, que tem 70% dos alunos oriundos de escolas particulares, informou que faz um debate interno sobre as cotas, mas de forma "lenta". Isso acontece pela divergência entre os professores. Por isso, a reitoria prefere não se pronunciar, alegando que pode "induzir opiniões".
O tratamento dispensado à questão pela UFRJ é considerado pelo aluno de ciências sociais, Julio Vitor Costa, como "racista". Para ele, que nunca foi discriminado claramente na UFRJ, a discriminação aparece quando a universidade se omite na questão.
"O racismo se dá de maneira ideológica dentro de sala de aula. Só o fato de não lermos nenhum autor negro já se coloca. Temos diversos intelectuais negros, africanos, brasileiros, americanos e eles não são sequer considerados", completou.
Atualizada para alteração do título.
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