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Brasília - O
ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, afirmou hoje (13) que o processo de abolição da escravatura no Brasil é incompleto. Para o ministro, que concedeu entrevista ao programa Notícias da Manhã da Rádio Nacional, não foram dadas condições dignas de sobrevivência aos ex-escravos.
Na
avaliação de Santos, a liberdade dos escravos só poderia ser considerada completa se tivesse sido feita juntamente com reforma agrária - que
garantisse o acesso à terra - e com a inclusão
dos filhos de negros nas escolas.
“Esse
processo é incompleto até hoje. Há uma luta nossa e do
governo no sentido de resgatar essa dívida histórica
do Estado brasileiro com a população negra. O 13 de
maio deve ser celebrado como um processo incompleto da libertação
do povo negro do regime de escravidão ”, afirmou.
O ministro falou que a desigualdade racial no Brasil dificulta a adoção da política de cotas para estudantes negros nas universidades. Segundo ele, o sistema de cotas já foi adotado em universidade rurais brasileiras - com reserva de vagas para filhos de agricultores - com resultados bastante positivos. Segundo ele, o avanço agrário no país é fruto desse trabalho.
“É
preciso que o Estado cumpra com a função de ser um
instrumento de redução de desigualdades. Se existe
desigualdade racial, o Estado tem de trabalhar para compensar as
desigualdades. Enquanto tratarmos os desiguais como iguais, tudo será
mantido. E as cotas são um instrumento de redução das
desigualdades”, afirmou o ministro.
Para o ministro, o Supremo Tribunal Federal (STF) garantirá de forma
definitiva o acerto da política de cotas. Segundo ele, o governo federal
entregará até quinta-feira (15) ao Supremo um
documento em defesa das cotas para negros nas universidades e no
Programa Universidade para Todos (ProUni). O STF iniciou em abril o
julgamento de duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) contra
o ProUni.
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