O escrivão da Irmandade Nossa Senhora dos Homens Pretos do Rio de Janeiro, Vanderli Teixeira, defendeu o protagonismo da Irmandade na abolição, sob a aprovação da família real portuguesa, ao contar a história da associação, fundada por escravos e negros libertos no século 17.
Com base em documentos históricos e teses de pesquisadores, ele afirma que a Irmandade foi a maior instituição que lutou pelo fim da escravatura. “Nela concentrou-se toda a luta abolicionista, que se expandiu, mas teve o quartel-general aqui”.
Segundo Teixeira, a Irmandade dos Homens Pretos, constituída no espaço da igreja de Nossa Senhora do Rosário, no centro do Rio, era um espaço onde os abolicionistas se encontravam “com a anuência do Estado”, para organizar suas ações.
“A Irmandade recebia nas dependências da Igreja escravos fugidos, custeava a liberdade de outros, organizava fugas e patrocinava vários jornais abolicionistas no Rio”, contou Teixeira.
Assim como as festas de celebrações religiosas, outras atividades da Irmandade dos Homens Pretos eram financiadas por meio de doações de seus integrantes, devotos de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito e até mesmo da família real.
“Certamente recebíamos ajuda da Princesa Isabel, da Casa Imperial. A Irmandade não poderia se organizar juridicamente se o Estado não quisesse. Como a associação funcionava de forma organizada sabemos que tinha a anuência dessas figuras históricas”, disse.
O escrivão Vanderli Teixeira disse ainda que muitos fatos da história do Brasil podem ser contados pela ótica da Irmandade. Segundo ele, as atas da associação são algumas das poucas fontes de pesquisa em que a escravidão e a vida dos negros no Brasil foi contada por eles mesmos.