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14 de Maio de 2008 - 15h04 -
Última modificação
em 14 de Maio de 2008 - 15h04
Recém-nascidos, brancos e do sexo feminino são os preferidos para adoção
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O coordenador da campanha Mude um Destino, Francisco Oliveira Neto, fala sobre a iniciativa, que tem o objetivo de esclarecer a população sobre os caminhos legais para a adoção.
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Brasília - Mais de
60% dos brasileiros dispostos a enfrentar um
processo de adoção preferem recém-nascidos (entre 0 e 6 meses),
brancos e do sexo feminino.
Em seguida, aparecem as crianças com
idade entre 3 e 6 anos (13,7%). As que têm menos chances de serem adotadas são aquelas com mais de 12 anos (1,1%).
Os dados
são da pesquisa Percepção da População
Brasileira sobre a Adoção, divulgada hoje (14) pela
Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e que faz
parte da segunda etapa da campanha Mude um Destino.
O
coordenador da iniciativa, Francisco Oliveira Neto, destaca que,
atualmente, cerca de 80 mil crianças e adolescentes vivem em
abrigos no Brasil. Segundo ele, quanto maior o grau de exigência dos
pais adotivos, mais longa é a espera pela guarda da criança.
"Um dos grandes problemas que nós temos é que as
pessoas atribuem a demora à burocracia e não se trata
de burocracia. Existe uma grande diferença entre a criança
desejada e a criança disponível para adoção,
que é uma criança mais velha.”
Neto classifica de “surpreendente” um dos dados levantados pela
pesquisa – das 1.562 pessoas entrevistadas, 80% responderam que não
têm preferência em relação à cor da
criança a ser adotada. Para ele, o índice reflete uma
tentativa de esconder o preconceito e não a realidade encontrada nas Varas da Infância e Juventude em todo o país.
“Atribuímos isso a uma resposta que a pessoa dá
socialmente aceitável. Com medo de ser reconhecida como
preconceituosa, ela responde que não teria preferência.”
Outra surpresa, na avaliação de Neto, é o
percentual de entrevistados que adotariam uma criança com necessidades especiais (54,9%). Ele garante que o índice também não está de acordo com o que os candidatos a pais preenchem na ficha para adoção.
“Isso dificulta, inclusive, o discurso que vamos ter com a pessoa.
Porque se ela esconde esse preconceito, torna o processo mais difícil
para as assistentes sociais, os psicólogos, os juízes e os
promotores.”
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