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Brasília - Ao anunciar
hoje (14) à noite as medidas para evitar o desabastecimento
de trigo e conter a alta dos preços do produto e de derivados
como farinha e pão francês, o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, disse que os representantes do setor se comprometeram a
repassar a desoneração de impostos, reduzindo o preço do pãozinho para o consumidor.
Mantega
afirmou que esse foi o compromisso assumido pelos empresários
com quem reuniu-se hoje para tratar dos estoques baixos de trigo e da
alta dos preços. Também estiveram na reunião o
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes e representantes dos produtores de
trigo, importadores, moinhos, padarias e supermercados.
Os dois ministros se
mostraram confiantes de que os benefícios fiscais concedidos
ao setor produtivo serão repassados ao consumidor, com a
redução do preço do pãozinho, vilão
da alta inflação nos últimos meses, segundo Mantega.
“O setor se comprometeu a
repassar. Por causa desse compromisso e dessa disposição,
é que nós concordamos em reduzir a tributação”,
reforçou o ministro da Fazenda.
Stephanes
relatou que “o setor deixou muito claro que repassará isso
imediatamente para o consumidor. Esse foi o compromisso assumido
pelos produtores”, disse. Mantega disse
que Stephanes está preparando medidas estruturais para
aumentar a oferta de longo prazo de trigo e outros produtos.
As medidas
anunciadas foram a suspensão do PIS/Cofins, até dezembro,
para o trigo, a farinha e o pão francês; a suspensão
do adicional de frete para o Fundo de Renovação da
Marinha Mercante, que hoje representa 25% do custo do transporte do
trigo importado; e a ampliação do prazo, até 31
de agosto, para o benefício da tarifa zero nas cotas de
importação do trigo.
A suspensão
do PIS/Cofins representará, até 31 de dezembro deste
ano, menos 9,25% de tributação sobre trigo, farinha de
trigo e o pão francês. Já a suspensão do
adicional de frete reduzirá o custo da importação
de trigo em 25%. A terceira medida também se destina a reduzir
os custos de importação, com a prorrogação
da alíquota zero para o trigo importado.
O ministro da
Fazenda disse que a alta de preços é conseqüência
dos baixos estoques mundiais de trigo e pelo fato da Argentina estar
em dificuldade de exportar trigo para o Brasil. “Nós estamos
num período de entressafra e a safra virá no segundo
semestre. A partir daí, acredito que, com o aumento da oferta
[da safra brasileira e da safra americana], haverá uma
redução dos preços”.
Por isso,
ele disse esperar que, no segundo semestre, a produção
de trigo se normalize e os preços do pão francês
caiam para o consumidor. Segundo Mantega, o pão francês
subiu aproximadamente 25% nos últimos meses e teve um impacto forte na inflação.
De acordo com
Mantega, a Argentina não está fornecendo o trigo
adicional que havia prometido ao Brasil – 800 mil toneladas, além
das 4 milhões de toneladas por ano importadas do país
vizinho. O Brasil consome cerca de dez milhões de tonelladas e
produz cerca de quatro milhões, sendo os 2 milhões
restantes importados de outros países, principalmente Estados
Unidos e Canadá.
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