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Brasília - O vôo 8082, da
TAM, previsto para decolar às 6h15 da manhã de hoje
(14), do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim-Galeão,
no Rio de Janeiro, só levantou vôo duas horas depois do
horário marcado. O atraso foi causado, segundo a Empresa
Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), por
uma ave que entrou na turbina da aeronave no momento em que ela
taxiava, se preparando para a decolagem.
O vôo tinha como
destino final a cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, com escala
em Guarulhos (SP).
Dados do Centro de
Investigação e Prevenção de Acidentes
Aeronáuticos (Cenipa), ligado ao Ministério da Defesa,
revelam que no ano passado foram registrados no país 567
incidentes deste tipo, mais do que em 2006, que totalizou 486.
O Sindicato Nacional
das Empresas Aeroviárias (Snea) alerta que o aeroporto
internacional do Rio de Janeiro, que recebe cerca de 30 mil
passageiros por dia é, ao lado do Aeroporto de Congonhas, em
São Paulo, o campeão nacional de registros de entrada
de aves em turbinas.
De acordo com o último
levantamento do Snea, relativo aos meses de março e abril,
houve nove incidentes aéreos com aves em cada um desses
aeroportos.
O número
considerado alto pelo comandante Ronaldo Jenkins, diretor do
sindicato e especialista em segurança de vôo. Segundo
ele, os motivos que levam a essa situação são
principalmente as questões ambientais.
"Na medida em que
aumenta o desmatamento, a derrubada de árvores, destruindo o
habitat natural dos pássaros, eles vão procurando
outras áreas para se colocar. No caso do aeroporto do Rio de
Janeiro, temos ainda o problema dos urubus, que são atraídos
pela poluição, pelo lixo e por animais mortos que ficam
boiando na baía [de Guanabara]", explicou.
Ainda de acordo com o
comandante Jenkins, embora nos mais de 100 anos da aviação
mundial tenham sido registrados apenas dois acidentes envolvendo
queda de avião por colisão com aves, esse problema traz
grandes prejuízos às companhias aéreas. Somente
no ano passado, estima-se que as empresas tenham
desembolsado US$ 4 milhões, o equivalente a R$ 6,4 milhões,
em reparos e troca de peças das aeronaves atingidas.
A Secretaria Estadual
de Ambiente do Rio de Janeiro informou que vai iniciar, em dois
meses, um programa de despoluição dos Canais do Fundão
e do Cunha, que desaguam na Baía de Guanabara, no entorno do
aeroporto internacional. O trecho de 6,5 km de extensão
encontra-se totalmente assoreado e poluído,
impedindo a circulação das águas da baía
e contribuindo para atrair aves, principalmente urubus, que são
responsáveis por mais de 20% dos casos de acidentes com
pássaros. Serão investidos aproximadamente R$ 300
milhões, recursos da Petrobras.
A Secretaria do
Ambiente espera que o projeto, que será executado em parceria
com a Universidade Federal do Rio de Janeiro e deve estar concluído
num prazo de 24 meses, restabeleça o equilíbrio
ambiental na região.
Para tratar a questão
de acidentes aéreos envolvendo animais, o Brasil sediará,
em novembro, o 4º Seminário Internacional Perigo Aviário
e Fauna, em Brasília
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