O diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Vale, Walter Cover, disse hoje (14) que "as ações  promovidas pelos militantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com o apoio de um grupo de garimpeiros, foram atos de sabotagem muito bem organizados, precedidos de atos de vandalismo". Ele se referia à interrupção do tráfego da estrada de ferro Carajás, em Parauapebas, no Pará, na tarde de ontem (13). A invasão foi a décima-primeira em um espaço de treze meses, segundo a empresa.

As acusações ao MST foram feitas em entrevista coletiva dada hoje (14), no Rio de Janeiro. Walter Cover disse que as ações danificaram e interromperam o tráfego de locomotivas na região desde as 13h de ontem, que inviabilizaram o tráfego da ferrovia, também o único meio de transporte disponível para os trabalhadores de 23 municípios do Pará e do Maranhão. Segundo o diretor, "os integrantes do MST deram um passo à frente nas ações contra a mineradora,.que inviabilizaram o tráfego da ferrovia".

Segundo nota Vale, divulgada durante a coletiva, "entre outros atos de vandalismo, os invasores retiraram 1.200 grampos que fixam os trilhos ao solo, em um trecho de mais de 200 metros de extensão; cortaram os cabos de fibra óptica que passam pelos trilhos, interrompendo a comunicação via celular de Carajás; atearam fogos em pneus sobre os trilhos, danificando mais de 300 dormentes; e usaram um macaco hidráulico para levantar os trilhos, comprometendo a sustentação da linha".

Com a paralisação da Estrada de ferro Carajás, deixam de ser transportadas, por dia, 1.300 pessoas, que têm no trem de passageiros o único meio de transporte entre os dois estados. Além disto, deixaram de ser transportadas, no período, 285 mil toneladas de minério de ferro. “Estimativas preliminares dão conta de que serão necessárias mais de 100 horas-homem de trabalho para reparar os danos provocados pelos invasores”, informou o executivo da Vale.

A expectativa da companhia era de recolocar o trem de carga em operação ainda na noite desta quarta-feira. Na nota, a Vale afirma considerar “inadmissível que uma empresa privada, com mais de 500 mil acionistas (aí incluídos milhares de pequenos investidores, sem contar os trabalhadores, que usaram recursos do FGTS, para comprar ações da empresa) seja usada como instrumento de pressão para forçar os governos federal e estadual (PA) a negociar uma pauta de reivindicações do interesse de um grupo restrito, e que não guarda qualquer relação com a empresa”.

A diretoria da Vale criticou a falta de ação policial do governo do Pará, para inibir novas possíveis invasões do MST em ferrovias da empresa. "É uma questão de decisão política de governos, que preferem optar pelo caminho da negociação", afirmou Cover. A Vale também reclamou de não estar conseguindo formar, em face de demanda aquecida, estoques de matéria-prima nos portos, para atender a demanda externa, o que vem retendo os navios no porto além do tempo necessário – gerando prejuízos para a empresa.