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Rio de Janeiro - As pequenas empresas dos setores de calçados,
móveis, cosméticos, frutas processadas e metal-mecânico
apresentam maiores possibilidades de internacionalização
imediata, dentro do Programa de Apoio à Inserção
Internacional das Pequenas e Médias Empresas Brasileiras
(PAIIPME), firmado pelo país com a União Européia.
Esses setores vêm ganhando espaço no
mercado interno e mostram chances de partir para uma atuação
no mercado europeu, de acordo com avaliação da Agência
Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O PAIIPME é
executado pela ABDI, o órgão gestor da
nova política de desenvolvimento produtivo brasileiro,
anunciada esta semana pelo governo federal.
A avaliação sobre o potencial desses setores foi feita pelo gerente da Área de Projetos da ABDI,
Geraldo Nunes, coordenador do PAIIPME. Ele esclareceu hoje (14) que não
há, contudo, nenhum impedimento para que empresas de outros
setores econômicos venham a participar desse processo. “Em
princípio, qualquer setor pode participar”, afirmou. No
momento, apenas grandes empresas, como a mineradora Vale, a
Petrobrás, a Embraer, possuem atuação no
exterior, através, inclusive, da criação de
subsidiárias internacionais.
Nunes deixou claro, porém, que o conceito
de internacionalização é mais amplo do que
exportar. “O conceito de internacionalização envolve
não só exportar. Mas também, até,
importar, fazer acordos de parcerias com empresas européias
para vender para terceiros mercados, para fornecimento de produtos e
compra de tecnologia. É um processo mais amplo”, disse.
O objetivo do PAIIPME é justamente “dar
um impulso na internacionalização, começando
pela União Européia”, destacou. Segundo ele, para
isso deverão ser assinados acordos entre pequenas e médias
companhias brasileiras e européias e haverá troca de
experiências.
O gerente da ABDI lembrou que, em termos de
exportação, os números disponíveis
indicam que 51% do total de empresas brasileiras exportadoras são
de micro e pequeno portes e 26% de médias empresas. Em relação
à internacionalização, não há
dados referentes à participação de PMEs nesse
processo.
O PAIIPME é um programa de cooperação
entre o Brasil e a União Européia criado em 2005. Por
razões de ordem burocrática, entretanto, os editais
somente estão sendo lançados neste ano. O primeiro
deles, com valor máximo de R$ 5 milhões, por um ano e
quatro meses de contrato, receberá propostas até o dia
6 de junho próximo. O edital visa à contratação
de serviços técnicos especializados e apoio ao
programa.
Nunes explicou que esse edital compreende a
realização de estudos de mercado, formação
e capacitação de pessoal e intercâmbio de
experiências entre instituições brasileiras e
européias na área de internacionalização
de empresas de pequeno porte. Esses serviços vão
contemplar entidades promotoras da internacionalização,
como o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), a Agência de Promoção de Exportações
(APEX Brasil), a Confederação Nacional da Indústria
(CNI), entre outras. “Esse edital de serviços é para
uma preparação ao programa”, observou.
Até o final do mês, outros dois
editais serão lançados pela ABDI. Um deles, com valor
de cerca de R$ 18 milhões, financiará projetos
específicos de internacionalização de pequenas e
médias empresas nacionais. Nunes esclareceu que esse edital de
subvenções prevê contrapartida brasileira de 50%.
O terceiro edital visa a compra de equipamentos
para o Ministério da Agricultura (MAPA), o Instituto Nacional
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(Inmetro) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior (MDIC). O objetivo é dotar esses
órgãos de instrumentos de certificação
modernos para atender à legislação
internacional.
“É compra de equipamentos mais sofisticados
para reforçar a nossa capacidade de análise e até
de certificação de produtos”. Geraldo Nunes destacou
que existe hoje, no mercado externo, uma série de barreiras a
determinados produtos, cujo exame é feito até agora
somente em laboratórios na Europa. “Então, nós
estamos nos capacitando para isso também, além do que
já temos de capacidade instalada”, informou.
Os contratos referentes aos editais começarão
a vigorar no segundo semestre deste ano. A ABDI tem como missão
promover o desenvolvimento industrial e tecnológico
brasileiro através do aumento da competitividade e da
inovação.
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