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Brasília - As mudanças no
Código Penal aprovadas ontem (14) pela Câmara dos
Deputados modernizaram as normas processuais e penais “diante da
mudança da realidade que a sociedade enfrenta hoje”, segundo
o vice-presidente de Comunicação da Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB), juiz Cláudio Dell'Orto.
“Parece que essas
medidas vão reduzir a impunidade e o processo tende a se
tornar mais rápido”, avaliou Dell'Orto ao comentar o projeto
que diminui o tempo de debate destinado à acusação
e à defesa, passando de duas horas para uma hora e meia.
O juiz também
aprovou o fim de novo juri quando a sentença condenatória
for superior a 20 anos. “Não há uma razoabilidade em
realizar um novo julgamento simplesmente porque a pena aplicada foi
considerada elevada”, disse.
Cláudio
Dell'Orto manifestou satisfação em relação
ao projeto que facilita o sequestro de bens de pessoas indiciadas.
Para ele, a medida ajuda a tornar negativa a relação
custo benefício da atividade criminosa.
“Porque se não
o cara é condenado, cumpre uma pena, mas saí rico da
cadeia, isso não pode acontecer”, argumentou.
Outro projeto que o
magistrado avaliou positivamente foi o que regulamenta o uso de meios
eletrônicos, como pulseiras e tornozeleiras, para o
monitoramento de condenados em liberdade condicional.
Dell'Orto desqualificou
a possibilidade desse tipo de monitoramento ser enquadrado como
invasão de privacidade. “Se essas pessoas não
estivessem em liberdade condicional, elas estariam presas, e não
há invasão de privacidade maior do que a prisão”,
argumentou.
Dos projetos aprovados,
Dell'Orto considerou inadequado apenas o que determina que o juiz, ao
determinar uma pena, considere crimes cometidos pelo infrator quando
era menor de idade. O magistrado acredita que “a consideração
de antecedentes de um momento da vida dele no qual ele ainda não
tinha responsabilidade penal fere os princípios do processo
penal brasileiro”.
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